Expansão de armazenamento pode chegar a 741 GWh até 2030, aponta Wood Mac

Com pandemia o ritmo de crescimento deverá ser mais lento, mas previsão é de acelerar até o final da década permitindo maior penetração das renováveis

A capacidade global de armazenamento de energia pode crescer a uma taxa anual de 31%, registrando 741 gigawatt-hora (GWh) de capacidade cumulativa até 2030. É o que aponta um relatório da consultoria Wood Mackenzie. Segundo a empresa, a modalidade front-of-the-meter continuará a dominar as implantações anuais e será responsável por até 70% das adições de capacidade total anual até o final da década.

De acordo com a Wood Mackenzie, foi observada uma redução de 17% nas implantações em 2020, 2 GWh a menos do que perspectiva pré-coronavírus. E a expectativa é de um crescimento oscilante no início da década, mas o crescimento provavelmente acelerará no final desse período para permitir o aumento da penetração de renováveis ​​variáveis ​​e a transição do mercado de energia.

A consultoria avalia que as decisões de investimento provavelmente serão adiadas em alguns casos, mas a trajetória geral da transição do mercado de energia e a necessidade de armazenamento de energia para permitir isso não mudou. Os governos podem ter um papel importante nesse processo ao passo que incentivem a recuperação da economia de forma mais sustentável do que no passado, com vantagens para a indústria de armazenamento de energia.

Dentre os países que lideram esse mercado, os EUA continuam à frente e representarão mais de 49% ou 365 GWh da capacidade global cumulativa até 2030. O planejamento de recursos de serviços públicos por lá deve ocupar um lugar de destaque nas implantações na próxima década. É esperado que esse mercado cresça até 2021 devido a recursos significativos de curto prazo planejados antes de desacelerar ligeiramente até 2025. Após, essa expansão se tornará mais estável. O norte americano, acrescenta, alcançará um CAGR (sigla para crescimento anual médio, em inglês() de 36% na próxima década, com capacidade instalada acumulada de cerca de  300 GWh.

A China vem em segundo lugar e também verá sua capacidade de armazenamento acumulada crescer exponencialmente, apontou a consultoria. A estimativa é de 21% ou 153 GWh da capacidade cumulativa global até o final da década. O mercado de serviços auxiliares é visto como o principal fluxo de receita para o mercado.

A Wood Mackenzie ressaltou que o armazenamento é a chave para o forte crescimento das energias renováveis. Contudo, a questão é se o armazenamento pode capturar fluxos de receita estáveis ​​de longo prazo. A modalidade de baixo custo e de longa duração pode competir cada vez mais com carvão, gás e hidrelétricas, permitindo níveis mais altos de penetração solar e eólica. No entanto, a maioria dos sistemas de armazenamento de energia de íon-lítio economicamente atinge o máximo de 4 a 6 horas, deixando uma lacuna no mercado.

O LFP (fosfato de lítio e ferro) está prestes a ultrapassar o NMC (níquel manganês cobalto) como a química de armazenamento estacionária dominante na década, crescendo de 10% do mercado em 2015 para mais de 30% em 2030.