Inovação consolida aerogeradores acima de 4 MW no Brasil

Fabricantes começam a dar os primeiros passos para essas unidades no país, muitos destes lançados no Brazil Windpower 2019

Os participantes do Brazil Windpower 2020 que assistiam ao painel de Inovação e Cadeia Produtiva, nesta quinta-feira, 29 de outubro, acompanharam um momento diferente de outros eventos e que só poderia ser proporcionado por um encontro 100% digital. O diretor superintendente da WEG Energia, João Paulo Silva, promoveu uma apresentação em tempo real da nova bancada de testes da empresa na fábrica em Jaraguá do Sul (SC).

A companhia deverá iniciar na próxima segunda um teste de um mês com dois modelos diferentes de aerogeradores de 4,2 MW, um para mercado brasileiro e outro para ser certificado no mercado indiano. O executivo explicou que essa é a maior estrutura dessa natureza na América do Sul e pode ser usada para aerogeradores de até 6 MW de potência.

Em princípio, quem olha a estrutura não diz que se trata de uma área de testes de turbinas eólicas. não estão ali as pás nem a torre, apenas a nacele em uma base de 4 metros de altura. Para, segundo o executivo, ser o suficiente para tirar a peça do chão, Bem como outras características técnicas para a realização do teste. Mas ainda há uma estrutura de aço enterrada “para dar o torque necessário ao teste”, relatou ele.

Ali estão os protótipos de aerogeradores sendo que um deles é de um projeto de P&D da Aneel que a fabricante vem desenvolvendo com conjunto com a Celesc e com a Engie. “Estamos agora na fase de montagem elétrica e os testes deverão ser iniciados na próxima segunda-feira”, disse ele.

O diretor da WEG destacou que esse é um dos projetos que a empresa vem desenvolvendo focado na inovação da cadeia. Essa atividade na empresa, comentou ele, é alvo de 2,5% da receita em termos globais na companhia. Tanto que 50% do faturamento atual é originado de produtos que há 5 anos ainda não estavam no portfólio da empresa que atua em diversas áreas.

Segundo ele, um dos desafios da cadeia de produção é a questão de fornecimento de materiais e o custo desses, que vêm apresentando elevação ao passo que o preço das commodities aumentam como o aço e o cobre.

Eric Rodrigues, diretor de Vendas da Vestas, lembrou que com a recente desvalorização do real ainda houve um aumento nominal de 15% na necessidade de capex para os empreendedores. E estimou que essa turbulência ainda deverá continuar nos próximos dias com a indefinição das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Marcelo Costa, diretor de Compras da Nordex Acciona, relatou que no mercado de aço foi notado o incremento do custo de insumos da ordem de 47,5%.

Julio Cesar Pinheiro Goes, diretor de Supply Chain da Siemens Gamesa, acrescentou ainda que a inovação nas empresas, por sua vez, ainda encontram barreiras para seu desenvolvimento justamente nos fornecedores que vêem com desconfiança os avanços dos fabricantes.

Por outro lado, as empresas acreditam em um mercado com demanda por equipamentos de maior porte. A Vestas, por exemplo, aproveitou o Brazil Windpower para anunciar o incremento da sua turbina V150 para 4,5 MW, “alteração impulsionada pelo Brasil”, contou.

A Nordex Acciona lançou no ano passado a sua plataforma de 5,5 MW no BWP e agora está próxima de produzir o equipamento localmente. No cronograma da empresa, a primeira unidade deverá sair da linha de produção no início do ano que vem.

Ao longo de 2020, em plena pandemia, disse Brian Pitel, diretor de Supply Chain para Onshore Wind na América Latina da GE, a empresa conseguiu dar continuidade ao processo de certificação de fornecedores locais para a sua plataforma lançada no BWP 2019, a Cypress, de potência acima de 5 MW, que aliás, foi a tônica do evento do ano passado.

Olhando para o futuro, os executivos concordam que o offshore chegará, mas que é preciso uma movimentação já no Brasil se quiser que os primeiros projetos estejam operacionais em 5 a 10 anos.