Apagão no AP será analisado por ONS e Aneel na terça-feira, 10

Uma operação foi montada para restabelecer a energia, enquanto o estado chegava ao terceiro dia no escuro

O Operador Nacional do Sistema Elétrico antecipou para a próxima terça-feira, 10 de novembro, a reunião de análise do incidente que provocou um blecaute no Amapá desde a noite da última terça-feira, 3. Informações preliminares indicam que a falta de um transformador de reserva em condições de operação na SE Macapá teria agravado o apagão que desconectou o estado do Sistema Interligado Nacional.

O desligamento ocorreu após a explosão seguida de incêndio em um dos transformadores da subestação, que também teria avariado um segundo transformador. O terceiro equipamento, que em tese deveria funcionar com um backup, estava desligado para manutenção desde dezembro do ano passado, segundo informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia. Com isso, 14 dos 16 municípios, incluída a capital Macapá, ficaram no escuro, provocando caos e desabastecimento.

A expectativa do MME era de que a recuperação do terceiro transformador permitisse o restabelecimento de até 70% da carga nesta sexta-feira, 6. Aviões da Força Aérea Brasileira iniciaram hoje o transporte de 51 toneladas de materiais, entre transformadores, geradores e máquinas de purificação de óleo. A operação, segundo nota divulgada à noite pelo ministério, deve terminar neste sábado, 7.

O procedimento previsto pela Empresa de Pesquisa Energética e adotado normalmente pelas transmissoras em instalações como a SE Macapá é a colocação de três transformadores monofásicos operando e um de reserva, explicou à Agência CanalEnergia o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica, Mário Miranda.

No Amapá, a Linhas de Macapá Transmissora de Energia, responsável pela subestação, optou por instalar três equipamentos trifásicos de 200 MVA de capacidade cada um. Dois deles ficariam em operação e um de reserva, o que seria mais do que suficiente para atender a carga de 250 MW médios do estado.

Miranda explicou que o equipamento reserva é uma obrigação do empreendedor, que recebe uma parcela de receita para cobrir o investimento. Não ter um transformador adicional em condições de entrar em operação a qualquer momento significa perder esse valor, que é pago pelo consumidor na tarifa de transmissão. Além do equipamento extra em cada subestação, as empresas mantêm ainda um equipamento reserva regional, para garantir maior confiabilidade e segurança na operação.

Apuração

A Agência Nacional de Energia Elétrica informou nesta sexta-feira, 6, que tem trabalhado para dar agilidade à apuração e está apoiando as medidas do governo para restabelecer o suprimento de energia no estado. Não explicou, no entanto, se já foi feita alguma fiscalização in loco nas instalações da LMTE.

Em ocorrências como essa, o ONS fornece informações preliminares e inicia os procedimentos para elaboração do Relatório de Análise de Perturbação (RAP). O prazo para a convocação da primeira reunião de avaliação é de cinco dias úteis após a ocorrência.

A expectativa é de que o relatório saia em 30 dias para que a agência, identificadas as causas, possa fiscalizar as empresas envolvidas e apurar até mesmo a atuação do ONS, se for o caso. A fiscalização presencial pode ser feita pela Aneel, no entanto, antes da conclusão do documento.

Além do RAP, cabe ao operador calcular o valor da Parcela Variável por Indisponibilidade que será descontada da receita da transmissora. Os descontos da PVI podem chegar a 150 vezes o valor de receita a que a transmissora teria direito.