Comércio e serviços reduzem o consumo de eletricidade em novembro

Impactados pela pandemia, segmentos foram responsáveis, em parte, pela inversão da trajetória de recuperação do mercado de energia

O consumo nacional de energia elétrica encolheu 0,7% em novembro de 2020 na comparação com igual período de 2019; invertendo, pela primeira vez, a trajetória de recuperação da demanda no mercado brasileiro de energia. O consumo de energia elétrica foi drasticamente afetado pela desaceleração das atividades econômicas assim que sugiram os primeiros casos de Covid-19 no país, em março deste ano.

Depois do pior momento em abril, a demanda foi rapidamente acompanhando as medidas de flexibilização da quarentena e retorno de algumas atividades econômicas. No entanto, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), comunicou nesta quinta-feira, 9 de dezembro, que “após registrar consecutivas altas desde julho, o consumo de energia elétrica no país recuou 0,7% em novembro […]”.

“Os dados prévios, que integram o boletim InfoMercado Quinzenal da CCEE, apontam para uma queda de 4,4% no mercado regulado (ACR) e um crescimento de 7,7% no Ambiente de Contratação Livre (ACL). Os resultados consideram todas as cargas, inclusive as que migraram de um segmento ao outro neste período”, complementou a instituição em boletim divulgado à imprensa.

O mercado regulado representa o ambiente cativo das concessionárias de distribuição de energia. Já o ACL está em expansão desde 2015 e representa mais de 30% do consumo total do país.

“Se desconsiderarmos o efeito das migrações, o ACR, teria apresentado uma redução um pouco menos intensa, de 2,1%. Já os números do mercado livre ainda teriam uma ampliação, de 2,6%”, explicou a CCEE, ainda sobre se referindo aos dados de novembro.

Na avaliação da instituição, parte da retração do consumo do mercado cativo pode ser explicada por uma atividade menor em lojas físicas, tanto no comércio como em serviços de menor porte, se compararmos novembro de 2020 com 2019.

“A consultoria FX Data Intelligence indica que, no mês da Black Friday, o movimento de consumidores foi 62,9% menor em shoppings centers e caiu 55,8% no varejo presencial, em relação ao ano passado. Finalmente, dados do ICVA, que medem o desempenho econômico dos varejistas, indicaram queda de 25,5% no faturamento fora do e-commerce no período”, destacou a CCEE

O mesmo cenário se apresentou para o segmento comercial no ACL, que reúne os consumidores de maior porte. Excluídas as migrações, a atividade caiu 6% no comparativo de novembro deste ano e o mesmo mês no ano passado.

“Vale ressaltar ainda que, por ser um estudo prévio, o boletim registra estados com grande representatividade no consumo nacional e que ainda não apresentaram todos os dados de medição necessários para o levantamento definitivo. É o caso da Bahia, com queda de 8%, e o Rio Grande do Sul, com queda de 9%. Juntos, os dois registraram as maiores quantidades de números faltantes, e respondem por mais de 10% do Sistema Interligado Nacional (SIN)”, alertou a CCEE.

Em contrapartida, 16 estados apresentaram alta no consumo, com destaque para o Mato Grosso (7%), Rondônia (7%), Acre (5%) e Santa Catarina (4%).

Geração de energia

Em relação à produção de energia elétrica, ainda trabalhando com dados prévios, a CCEE observou uma queda de 2,3% em novembro, tendo como referência o mesmo período de 2019. As usinas hidráulicas apresentaram redução de 5,5% e as fotovoltaicas de 3,8%. As usinas eólicas apresentaram estabilidade, enquanto as térmicas registraram elevação na geração, na mesma proporção de queda das hidráulicas (5,5%).