Competitividade pode reduzir retorno em leilão de LTs, aponta Moody’s

Relatório da agência de classificação de risco acredita em um ambiente competitivo acirrado para o certame que ocorrerá na próxima quinta-feira, 17 de dezembro

Os próximos leilões de transmissão no Brasil deverá apresentar alta competitividade. De acordo com um relatório divulgado pela agência de classificação de risco Moody’s, essa visão deve-se aos riscos relativamente baixos do setor e pela disponibilidade de alternativas de financiamento de longo prazo a custos razoáveis. Como consequência, o ambiente competitivo acirrado deverá pressionar os retornos. No último leilão em dezembro de 2019, as taxas de desconto atingiram 60,3% contra 20% em média durante 2015 e 2017.

Do ponto de vista do crédito, continua a Moody’s, isto significa que concessões mais novas terão disponibilidade de fluxo de caixa relativamente menor para o cumprimento dos serviços de dívida, deixando um colchão mais reduzido para estruturas de capitais altamente alavancadas. No entanto, espera liquidez adequada para companhias para às quais atribui ratings.

Segundo o relatório, a regulação do setor é favorável porque está baseada na disponibilidade de ativos e não no volume de energia e isto atribui maior estabilidade e previsibilidade às companhias desse setor. E que as margens elevadas das companhias permanecerão sem mudanças no curto prazo.

A Moody’s lembra que a expansão da rede de transmissão é essencial para apoiar uma alocação eficiente de energia no sistema integrado do país devido às dimensões continentais do território brasileiro. Os projetos em construção devem adicionar 20 mil quilômetros à extensão total da rede nacional interconectada até o final de 2022. E ainda, que após mudanças contratuais em 2016, a concorrência entre licitantes do setor privado aumentou, direcionando os resultados dos leilões e levando a taxas de desconto maiores sobre a receita oferecida para os novos ativos.

“De um modo geral, a Moody’s espera que novos projetos sejam financiados essencialmente pelo mercado local, beneficiando-se de um ambiente de taxas de juros baixas e da ampla disponibilidade de recursos de longo prazo por meio de bancos de investimentos e debêntures de infraestrutura”.

O principal risco para as transmissoras continua a ser o de construção. Contudo, aponta que este é amplamente compensado por garantias bancárias ou da matriz. “Os projetos de transmissão em construção enfrentam riscos maiores de atrasos programados e custos mais elevados do que o projetado. Mas as garantias bancárias e da controladora embutidas em contratos geralmente garantem dívidas reembolso até que os limites operacionais mínimos sejam atingidos, mitigando os riscos de execução”, indica.