AES Brasil aumentará alavancagem para investir

Empresa tem plano de aportes de R$ 1,3 bilhão, sendo que R$ 1,1 bi está destinado à expansão com dois complexos eólicos

A AES Brasil deverá focar em novos investimentos por meio do aumento de dívidas no longo prazo para suportar a expansão de seu portfólio. A empresa considera que seu nível de alavancagem, medido pela relação entre a dívida líquida sobre o resultado ebitda ajustado, de 1,5 vez ao final de dezembro, deverá ser mais elevado no futuro. Os investimentos estimados atualmente pela empresa estão centrados nos complexos eólicos Tucano e Cajuína ao passo que a empresa fecha novos PPAs.

O primeiro deverá entrar em operação comercial a partir do ano que vem com 322 MW e Cajuína está com 46 MW compromissados com a Minasligas. A CEO da empresa, Clarissa Sadock, disse em teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados da empresa de 2020, que o foco está na expansão apenas nas fontes eólica e solar. A hídrica não está nos planos da companhia, nem mesmo para a aquisição no mercado secundário.

“Nosso objetivo é o de aumentar nossa alavancagem para financiar da forma mais eficiente nosso crescimento. Estamos em 1,5 vez e esse nível deverá aumentar já no próximo trimestre por conta do pagamento da nossa parcela do GSF, o recurso saiu de caixa em 7 de janeiro, a dívida cresce mas ao longo do ano vai se reduzindo”, explicou a executiva.

A estimativa de aportes da empresa para os dois próximos anos é de cerca de R$ 1,3 bilhão. Desse valor, R$ 1,1 bilhão está destinado ao crescimento de seu portfólio. O restante em modernização e manutenção dos ativos. Ela ressaltou que investimentos são feitos com a assinatura de contrato com os clientes como no caso mais recente, de Cajuína.

Atualmente, o foco para a venda de energia está para a partir de 2024 ano em que a companhia possui nível de contratação de 62% de sua garantia física. Até lá, explicou, a AES está com um nível considerado próximo ao ideal de compromissos firmados, que é de 85%.

A partir desse ano até 2023 os contratos de venda de energia representam 88% a 89% de seu portfólio. Para 2021 e 2022, a companhia tem disponível 183 MW médios e 180 MW médios, respectivamente. Em 2023 passa a 192 MW médios. Apenas em 2024 que o volume é mais representativo com 632 MW médios. Para 2025 comentou, a empresa está com 45% da energia contratada.

O preço médio de venda está relativamente estável, em uma faixa de R$ 180/MWh em 2021 e que vai recuando levemente ao ano até chegar a R$ 170/MWh em 2024.