Para ter matriz limpa em Noronha, uso de etanol é alternativa mais barata no curto prazo

Estudo do WWF aponta que uso de carros elétricos não traria mesmo impacto por depender de geração térmica

Estudo do WWF-Brasil mostra que para uma matriz energética da ilha de Fernando de Noronha (PE) limpa no curto prazo, a adoção do etanol seria a alternativa mais barata. Análises mostram que substituir a gasolina por etanol reduz as emissões de gases de efeito estufa em 77%, enquanto a adoção de veículos elétricos reduziria as emissões em 52% atualmente. Há, ainda a vantagem de dispensar investimentos públicos e privados em veículos elétricos e sistemas de recarga.

O projeto “Noronha Carbono Zero” tem por meta limpar a matriz energética da ilha. Entre as três ações imediatas previstas, a adoção de veículos elétricos será a primeira a passar à prática, por já estar regulamentada por lei. Porém a ação isolada não reduzirá a emissão de gases de efeito estufa. O abastecimento de energia da ilha ainda vem de termelétricas, que são mais poluidoras. O estudo conclui que a adoção de veículos elétricos em Fernando de Noronha reduziria os custos para reabastecimento desses modelos, mas dependeria de investimentos em geração elétrica renovável e sistemas de recarga para efetivamente diminuir as emissões de carbono.

A matriz energética da ilha é composta atualmente por termeletricidade e energia solar. Em 2019, a primeira representava 90% da energia elétrica gerada; a energia solar, aproximadamente 10%. Isso significa um consumo mensal médio de diesel de 554 mil litros, gerando um custo mensal de R$ 3 milhões e emissão de 1.170.000 kg CO2 por mês (dados de 2018).

O estudo do WWF-Brasil traz propostas para reduzir essa dependência dos combustíveis fósseis – e, por consequência, cortar as emissões. As recomendações incluem a ampliação do uso da energia solar fotovoltaica, a troca dos geradores eólicos danificados por outros mais potentes e eficientes e a adoção do biodiesel e da biodigestão dos resíduos sólidos orgânicos e esgoto. Essas alternativas, quando utilizadas em conjunto, permitiriam a redução das emissões na ilha em quase 90% e teriam efeito positivo sobre as emissões geradas pelo transporte do óleo diesel entre o continente e o arquipélago, realizado a cada 10 dias aproximadamente e com a poluição do solo e da água, além de proporcionar novos empregos.

O estudo comparou as emissões de CO2 de diversos combustíveis e energia. Atualmente, a ilha não usa  etanol como combustível, por isso adotou o preço do etanol como sendo 70% da gasolina, valor que oferece paridade de economia. Para os cálculos de eficiência, foram utilizados os carros mais vendidos no Brasil em 2019: Onix 1.0 como categoria geral e Corolla 1.8 como categoria Sedan. Para veículo elétrico, foi considerado o Zoe nos dois cenários: da atual geração, majoritariamente termelétrica, e no cenário de migração para energias limpas proposto pelo estudo.

A comparação mostra que os veículos elétricos emitirão mais CO2 que modelos a combustão movidos a etanol. Os benefícios dos elétricos só se efetivarão com a transição da ilha para uma matriz energética limpa. O alto valor comercial dos veículos elétricos também foi questionado pela população, além da dificuldade de manutenção na ilha, já que ainda não há mão de obra especializada.

De acordo com pesquisa realizada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Pernambuco, cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa em Fernando de Noronha provêm dos aviões, 30% da geração de energia elétrica e aproximadamente 9% dos veículos que circulam nos seus 17 km² de extensão. Esses são os três focos de ações imediatas do Projeto Noronha Carbono Zero: atuar com as empresas aéreas para reduzir emissões de carbono dos voos por compensação, com plantio de árvores no continente; implementação mais rápida de veículos elétricos, criando facilidades para o morador; passar a usar energia eólica, solar, biocombustíveis e energia das ondas.