Abradee vê necessidade de novas medidas para distribuidoras

Presidente da entidade, Marcos Madureira, diz que está em negociações com a autoridades de diversas áreas por conta da piora da pandemia e que índice de perdas e inadimplência preocupam

O nível de perdas e de inadimplência no segmento de distribuição volta a preocupar. Houve melhoria no final do ano passado com a desaceleração da pandemia, mas com a piora do cenário e a retomada de medidas de isolamento que, em alguns casos ficaram mais restritivos, a perspectiva é de que os indicadores também apresentem piora. Para conter esses números a Abradee vem discutindo com a Aneel e Ministério de Minas e Energia novas medidas.

De acordo com o presidente executivo da entidade, Marcos Madureira, a expectativa é de que sejam estabelecidas novas regras que permitam passar pelo momento que o país tem vivenciado.

” Estamos discutindo com a Aneel e com o MME quais medidas poderão ser necessárias. Ano passado tivemos a conta covid, valores que estavam previstos no reajuste dos consumidores de diferimento desses valores para manter a integralidade dos pagamentos à cadeia do setor elétrico e recolhimento de tributos. Agora em 2021 temos que estar atentos e estamos discutindo essas questões com o Poder Concedente, Ministério da Economia e outros que tratam dessas questões que são importantes”, revelou ele em sua entrevista no CanalEnergia Live desta terça-feira, 16 de março.

Apesar desse cenário, Madureira comentou que a perspectiva do setor é de manutenção dos investimentos em 2021. Até porque, disse ele, essa é uma ação contínua, são aportes planejados para o longo prazo e que estão programados pelas concessionárias. A tendência é de que a curva ascendente vista nos últimos anos continue.

De acordo com dados de 2019, os investimentos das distribuidoras somaram R$ 19 bilhões. Os valores de 2020 ainda não foram consolidados, mas deverão ficar nessa mesma ordem de grandeza, estimou ele, apesar da redução de mercado no ano passado.

Madureira comentou sobre o resultado dos índices de qualidade, que apresentaram os melhores níveis históricos, segundo a Aneel. Ele atribuiu esse fato ao compromisso das empresas do setor que vem investindo continuamente. E não apenas ao resultado de um ano de trabalho. Tanto que lembra dos contínuos apertos nos limites regulatórios estabelecidos pela agência reguladora.

“Os limites recuam todo o ano, uma premissa da Aneel de desafiar o setor. Cada vez mais os índices estão mais apertados e estamos indo atrás. Esse é um momento de celebração, uma notícia boa, estamos felizes de chegar nesse momento aos indicadores apurados”, finalizou ele.