Cenário atípico em 2020 eleva perdas da UHE Santo Antônio

Geradora destaca que continua conversas com Ibama e ICMBio sobre o nível de cota da usina quando o rio Madeira ultrapassar 36 mil metros cúbicos de vazão

A elevação das perdas da Santo Antônio Energia, concessionária da UHE de mesmo nome no rio Madeira (RO), deveu-se, basicamente, ao cenário do valor do PLD mais baixo no início do ano e mais elevado na segunda metade de 2020. Outro fator que aumentou as perdas da empresa é que em 2019 houve a reversão de provisões, o que elevou o resultado ebitda da geradora naquele período.

De acordo com o CFO da empresa, Nilmar Foletto, houve ainda o aumento das despesas financeiras por conta da elevação do IPCA, que é o principal índice de indexação dos contratos de financiamento da usina. O valor aumentou em R$ 428 milhões por conta do aumento da inflação, concentrada no segundo semestre de 2020, relatou ele em teleconferência com analistas e investidores.

O executivo destacou que a empresa estava confiante com sua estratégia de alocação de energia para 2020. Mas, com o cenário adverso no país mostrou-se negativo. a companhia esperava um GSF de 93% e estava preparada para esse índice o que levaria a impacto zero na variação do MRE. Mas, com a geração de energia secundária no primeiro semestre e preços reduzidos contrastando com a elevação dos valores que chegaram a a pouco mais de R$ 500/MWh de pico em novembro, a empresa viu impacto negativo, pois tem maior geração justamente no inverno amazônico, que é caracterizado no inicio do ano.

A empresa apresentou também uma melhoria na sua liquidez, finalizando o ano com aumento de R$ 186 milhões do saldo de caixa, disponibilidade bem superior à de exercícios anteriores. Contribuíram para este fortalecimento a gestão eficiente dos gastos e a adesão a programas de standstill instituídos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e pelo Banco da Amazônia, que proporcionaram a suspensão do pagamento das parcelas de financiamentos no montante total de R$ 350 milhões.

Aliás, sobre a questão da vazão do Madeira, que levou a uma disputa sobre a cota de operação da usina, ele disse que as conversas com o Ibama e ICMBio estão em andamento. E que para esse ano não há mais a necessidade de alteração da licença de operação, pois a vazão do rio já está naturalmente mais baixo. A necessidade de elevação da cota ocorre quando há mais de 36 mil metros cúbicos de vazão no rio.

Para 2021, o executivo mostrou-se otimista, acredita que a geradora está bem posicionada para que os resultados sejam melhores. Inclusive, negocia contratos de energia para que tenha hedge por meio de energia renovável no longo prazo. Além disso, citou a redução da TUST a partir de meados do ano, que terá o valor atual de R$ 1 bilhão, reduzido, assim como afirmou o presidente da outra usina daquele rio, a UHE Jirau, em entrevista à Agência CanalEnergia.

Operação
A geradora registrou em 2020 17.741 GWh de energia produzida, aumento de 4,3% ante ao resultado de 2019, superando o recorde registrado em 2018 (17.430 GWh). Com o resultado, a hidrelétrica se consolida no mercado como a 4ª maior do Brasil.

Ainda sobre a operação da usina, a SAE obteve um avanço no Fator Índice de Disponibilidade (FID), que se elevou de 0,9646 para 0,9696. A empresa ressalta que essa melhoria foi alcançada apesar das dificuldades trazidas pela operação em regime de confinamento, adotado em grande parte do exercício.