Eletrobras confia na execução do orçamento de investimentos em 2021

Empresa realizou cerca de 60% do valor previsto em 2020 e espera em 2021 alcançar aportes de R$ 8,3 bilhões, sendo um terço desse montante em Angra 3

A Eletrobras está confiante de que neste ano deverá executar o plano de investimento em um patamar mais elevado do que em 2020. No ano passado, relatou a companhia, foram aplicados R$ 3,1 bilhões de um total estimado em R$ 5,3 bilhões. Para 2021, a expectativa do plano da empresa é de investimentos na ordem de R$ 8,3 bilhões.

Uma parte significativa vai para as obras de Angra 3, com cerca de R$ 2,5 bilhões. Esse fator ajuda a companhia a acelerar os aportes desse ano. De acordo com Wilson Ferreira Jr. que deixou o cargo de CEO da empresa e hoje faz parte do conselho de administração da empresa, o nível de investimentos da companhia em 2019 foi prejudicado pela pandemia de covid-19.

Em sua análise, apenas a crise sanitária possui potencial de levar a empresa a uma desaceleração dos aportes. O executivo explicou em sua última entrevista à frente da empresa que do orçado para 2020, R$ 700 milhões não foram necessários. Ao mesmo tempo, com as restrições vistas ao longo do segundo e terceiro trimestres houve dificuldades logísticas e de disponibilidade de equipamentos para os aportes.

“Vejo que apenas restrições derivadas da crise sanitária é que podem diminuir o ritmo de aportes da Eletrobras ao longo de 2021, tomamos como base no último trimestre, quando as limitações eram menores, os investimentos foram maiores que o previsto”, comentou ele.

Inclusive, a usina de Angra 3 tem papel fundamental no plano de investimentos da companhia. Uma vez que a estatal possui capacidade de endividamento para alcançar o que se chama a estrutura ótima de capital. Um conceito financeiro que tem como consequência um menor pagamento de impostos.

Segundo Ferreira Jr, o índice ideal para a Eletrobras é de que a sua alavancagem fique na casa de 2,5 vezes a relação entre o resultado ebitda sobre a dívida líquida. Esse indicador é de 1,5 vez, o que abriria espaço para a empresa buscar financiamentos em novos projetos. Mas, segundo o executivo, somente com a usina termonuclear levaria a companhia a uma aproximação desse nível ideal.

O conselheiro da Eletrobras disse que a possibilidade de aquisições em outros projetos em que tem participação como em usinas hidrelétricas seria também um caminho já que a estatal possui direito de preferência.

“Com a entrada de financiamento a alavancagem aumentará. Ainda não nos detivemos pra avaliar aquisições, estamos começando as movimentações agora potenciais movimentos para algo que pode refletir para alcançarmos a estrutura ótima de capital.