Compra da Way 2 nos aproxima da tecnologia, diz CEO da 2W

Meta para 2021 é ter 500 agentes autônomos e avançar nos projetos eólicos

Tendo registrado lucro líquido de R$ 72 milhões no ano passado, a 2W Energia passou por 2020 deixando de ser apenas uma comercializadora para ser uma plataforma integrada voltada ao varejo. Em entrevista à Agência CanalEnergia, o CEO da 2W, Claudio Ribeiro, falou sobre a compra da empresa de soluções tecnológicas Way 2, anunciada recentemente. De acordo com ele, a aquisição foi uma forma de se aproximar do mercado de tecnologia do setor, de modo a agregar na cultura das empresas e criar produtos. “A transação com a Way2 é uma intenção de se tornar uma plataforma de serviço e tecnologia no setor. É um caminho para um fim que é levar soluções para o consumidor”, explica.

Ainda de acordo com o executivo, a autonomia de gestão da Way 2 será preservada. Ribeiro vê oportunidades na área de medição inteligente e ciência de dados, em que a Way 2 tem destaque no mercado. “O medidor inteligente, quanto mais desenvolvido ele for, mais há possibilidade de formatar serviços”, avisa. A migração de consumidores que a 2W faz é outro fator de aproximação entre as empresas. “A gente quer usar isso para ajudar a Way 2 e conseguir se aculturar um pouco dos drivers tecnológicos do setor elétrico”, aponta.

Ribeiro deixa clara a vontade de se aproximar cada vez mais do consumidor que vai chegar ao livre para oferecer novos produtos. A 2W saiu de 450 clientes operando em 2019 para mil em 2020. A meta é saltar dos atuais 206 agentes autônomos para 500 até o fim do ano. Simplificação e digitalização são palavras de ordem.  “Nossa divisão de varejo se consolida muito com essa estratégia de agentes, buscando esse consumidor que está no cativo e procurando alternativa de comprar energia mais barata, limpa e com serviço acoplado”, explica.

Por meio de dois projetos eólicos, a 2W também vai atuar na geração. Ribeiro acredita que a construção do projeto eólico Anemus (138 MW), no Rio Grande do Norte, avance este ano e ele seja inaugurado no início do ano que vem. Já sobre o outro projeto, a eólica Aracati (260 MW), no Ceará, a expectativa é que até o meio do ano a estruturação financeira do empreendimento seja apresentada. “Nosso objetivo é vender energia dos nossos parques para esse varejo, quem vai migrar e quem está [no ACL] e quer segurança em um projeto de energia livre”, observa.

O executivo espera que o resultado da 2W dobre na comparação com 2020, impulsionado pelo varejo e o crescimento no número dos agentes. Ele está otimista com a abertura do mercado e salienta que ela será benéfica, uma vez que deixa o país em linha com o que é praticado no mundo. Para ele, embora existam contratos em vigor, a velocidade do cronograma poderia ser mais rápida e ainda há um grande espaço para migração de clientes elegíveis para o ACL, que ainda não mudaram por falta de conhecimento das vantagens do mercado livre. “Independente do ritmo tem um contingente de consumidores aptos a migrar”, frisa.

Além da ênfase na governança como mensagem ao mercado, a aposta no mercado livre foi outro sinal que o CEO deixou claro. Os projetos de geração são todos voltados para o ACL e com financiamento preferencial do mercado de capitais, sem bancos de fomento. Anemus foi financiado via debêntures e um fundo americano de investimentos.