P&D avalia efeitos e viabilidade de remoção de barragem em MG

Projeto da Cemig em parceria com Universidade Federal de Lavras visa obter maior compreensão sobre impactos ecológicos na bacia do rio Pandeiros

A Cemig está avançando com um projeto para avaliar as mudanças ecológicas de curto, médio e longo prazo na bacia do rio Pandeiros, no contexto da remoção da barragem da pequena central hidrelétrica Pandeiros, no Norte de Minas Gerais. A iniciativa é orçada em R$ 6 milhões e regulada pelo programa de P&D da Aneel, sendo executada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) em parceria com a Fundação Científico Cultural (FUNDECC).

A área de estudo é a bacia do rio Pandeiros, com enfoque especial no reservatório da PCH, inoperante desde 2007, bem como regiões adjacentes e trecho de rio que se estende da jusante da barragem à foz no rio São Francisco. Os estudos são conduzidos com foco principal em peixes, invertebrados aquáticos, vegetação, formigas, hidrossedimentologia e comunicação social.

“O projeto também incorporou um estudo de levantamento e monitoramento acústico de biodiversidade associada aos corpos d’água, cuja abordagem é inédita no Brasil”, comenta a ictióloga da companhia mineira e gerente do projeto, Raquel Coelho Loures Fontes.

Ela explica que os principais resultados esperados são uma maior compreensão dos efeitos ecológicos da liberação de sedimentos e da possível remoção da barragem, além da aferição da pertinência da metodologia para as avaliações propostas e um melhor entendimento da dinâmica do fluxo de carbono na bacia do rio.

“Também esperamos o aprimoramento do entendimento dos padrões de descarga de sedimentos na bacia do rio Pandeiros, incluindo efeitos da abertura da comporta desarenadora da barragem, bem como a instituição de canais de comunicação e participação que permitam a construção de conhecimento técnico e soluções junto aos segmentos sociais envolvidos”, complementa.

Iniciado em 2018, a iniciativa tem previsão para ser finalizada em dezembro de 2022. Até o momento, os principais resultados apontam para o diagnóstico socioeconômico da população das comunidades adjacentes ao reservatório e apresentações e publicação de artigos em revistas científicas e eventos técnicos, como MG Biota, Science of the Total Environment e Simpósio de Mirmecologia.

“Os resultados obtidos até agora reiteram os benefícios ecológicos potenciais da remoção da barragem da PCH Pandeiros e reforçaram a necessidade de aproximação com a comunidade local para a construção conjunta de um processo viável”, conclui Raquel.