Esfera intermediará contato entre consumidor e fornecedor de energia

Plataforma que deve entrar no ar no início do maio é de uso gratuito e se diferencia do BBCE por oferecer a possibilidade de customização do contrato de energia a ser fechado entre as partes

A Esfera Energia está de olho no pequeno consumidor de energia residencial se preparando para o momento em que a abertura de mercado livre tornar-se realidade no país. A empresa, que nasceu como uma gestora de grandes clientes, vem focando seus esforços no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas e está próxima do lançamento de uma nova plataforma para intermediar a cotação de energia. A meta é colocar o consumidor e o gerador em contato diretamente.

De acordo com Braz Justi, CEO da Esfera, essa nova funcionalidade difere do que é feito pelo BBCE porque não é um produto padronizado, tem como principal característica ser customizado. Nomeada como HUD Cotação – HUD é a plataforma principal da empresa – passou oito meses sendo desenvolvida internamente pela equipe de tecnologia da informação da companhia até ser colocada em testes por um grupo escolhido especificamente para essa fase.

Agora a empresa convidará empresas a participar desse novo passo. “Nesse primeiro momento será via convite que faremos a empresas para que participem, ainda não será aberto e prevemos um semicontrole nessas movimentações, por meio de um monitoramento”, explicou o executivo. “O consumidor faz uma cotação para todos os geradores cadastrados ou para um grupo específico, é ele quem escolhe, esse processo traz muita eficiência, pois em apenas uma publicação pode ter acesso à melhor oferta disponível”, descreveu.

Atualmente a plataforma está aberta para um pré cadastro que pode ser acessado ao clicar neste link, é validado pela equipe da Esfera que poderá enviar o convite para fazer parte da nova ferramenta. Feita essa análise que verifica se a empresa é agente na CCEE e tem a energia disponível, é liberado o acesso. O serviço, conta ele é totalmente automatizado.

“Nesse primeiro momento ainda não está no nosso planejamento a monetização da plataforma. Por enquanto é uma porta de entrada para produtos de inteligência a serem agregados futuramente, há algumas metodologias para a monetização por meio de produtos adjacentes, mas isso ainda está em discussão”, revelou ele em entrevista à Agência CanalEnergia.”A meta agora é gerar valor para os clientes”, definiu.

A plataforma tem uma interface simples e direta, opera via internet e não há a necessidade de instalação de qualquer nova ferramenta ou dispositivo. Segundo ele, inicialmente a Esfera quer 10 clientes ativos na plataforma e a ideia é de que se houver a necessidade serão feitas correções. E a partir de então com um mês de operação abrir para mais interessados. O lançamento é previsto para os primeiros dias de maio.

A opção pelo desenvolvimento dessa plataforma, conta o executivo, deu-se pela perspectiva de crescimento do mercado livre e a redução das cargas que vem sendo notada. Tanto que a Esfera já está com seu comercializador varejista com quatro clientes, um volume que foi escolhido pela Esfera para que ocorra o aprendizado nessa nova modalidade para a companhia.

E a tecnologia entra para trazer escala no atendimento ao cliente, diferentemente do que havia no país com o atendimento personalizado para cada grande consumidor livre. Com o aumento do volume de consumidores livres, a companhia vê na tecnologia a saída para poder atender a um grande número de forma rápida e eficiente, sem burocratizar o processo.

“Essa é a nossa visão dos próximos anos, atacar o nicho onde está o cliente pequeno porte e proporcionar a experiência digital. Nosso foco é ser empresa de produtos e não de serviços como éramos até 2019”, apontou.

A meta da Esfera com a plataforma é proporcionar a negociação de 500 MW médios de energia até o final de 2021. Atualmente está em algo próximo a 100 MW médios, segundo dados da própria companhia.