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A UTE Prosperidade III (BA – 50 MW), de propriedade da Imetame Energia, será a primeira UTE carbono neutro do país. A usina começa a operar no segundo semestre de 2022 e vai se juntar a outros dois projetos térmicos da empresa. A Mercurio Partners atuou com advisor no processo. O projeto inicialmente era de uma térmica a biomassa de eucalipto em Minas Gerais viabilizada em leilão de 2015, mas que devido a problemas na floresta energética, foi colocado à venda pelo vencedor. “Identificamos uma oportunidade ali de tentar fazer uma transferência desse CCEAR para a expansão deles, na Prosperidade 3”, explica Alexandre Americano, diretor da Mercurio Partners.

Americano conta que a transferência seria complexa. O que estava em jogo não era apenas uma transferência de titularidade, mas também a alteração de características técnicas do projeto. Mudava de caldeira para rotor, de combustível e de localização, o que demandou conversas com as Agências Nacionais de Energia Elétrica e de Petróleo e o Gás, além da Empresa de Pesquisa Energética. Na discussão com a EPE, aparecia um questionamento sobre a mudança de combustível, já que o novo não poderia ter desempenho ambiental pior do que o anterior, se a queima do gás natural era pior que a queima da biomassa.

Por conta disso, foi apresentado um plano de compensação de gases do efeito estufa, seguindo órgão, a metodologia do GHG Protocol. A usina terá a obrigação de compensar a emissão por conta do despacho térmico. São três alternativas: ela pode apresentar um plano de reflorestamento específico em área degradada pra conseguir apurar os créditos; ela também pode trazer alguma nova tecnologia mais eficiente no sistema que reduza as emissões da planta ou ela vai ao mercado e compra uma quantidade equivalente de créditos de carbono para abater as emissões do ano. Um relatório verificado será apresentado todo ano. O projeto encerra o estigma de térmicas caras e poluentes e a usina terá um custo de energia favorável ao consumidor.

O maior desafio no projeto foi acertar a metodologia para apuração das toneladas compensadas, uma vez que isso nunca havia sido feito. Inicialmente, houve um acréscimo e existe uma espécie de risco adicional relacionado a equação dessa obrigação que a usina tem. Porém a usina, por ser carbono zero, tem a chance de obter com mais facilidade financiamentos mais competitivos. “É algo novo que atualmente tem sido bastante procurado não só por financiadores, mas também por eventuais investidores no mercado”, avisa.

Americano acredita que projetos similares aos da Imetame podem se replicar no mercado. Com o gás na boca do poço, a molécula, fica mais barata. Para ele, os desinvestimentos da Petrobras em ativos de gás e no parque termelétrico, aliado a abertura do novo mercado de gás, potencializam mais negócios. “Quem de fato conseguir garantir um fornecimento de uma molécula, provavelmente vai ser competitivo no leilão e a oferta disso tende a aumentar muito”, salienta.

Outro aspecto que pode aumentar o número de térmicas menores é que a abertura do mercado de gás e a redução da participação da Petrobras também tendem a aumentar a oferta do acesso a rede de transporte. Além disso, ainda persiste a necessidade do sistema de aumento de potência nas regiões Sul e Nordeste. Para o executivo da Mercurio, além da inovação, o projeto servirá como modelo para novas usinas que buscam se ajustar diante das demandas globais por sustentabilidade e adequações em ESG.