O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta segunda-feira (31) que vê com serenidade o momento atual da crise hídrica. Albuquerque garantiu que o MME está bem organizado e há uma governança dentro do setor elétrico e também no governo federal, “com tantos ministérios necessários para conduzir esse desafio que o país passa.”

As declarações foram feitas ao final de um painel do evento Brazil Investment Forum sobre transição energética. Perguntado sobre o assunto no debate da Agência Brasileira de Promoção das Exportações, o ministro disse que a crise hidrológica é decorrente das mudanças climáticas. Dentro da matriz elétrica, acrescentou, existe uma diversidade e uma complementariedade grande de fontes, e é necessário buscar o equilíbrio. “Nossa energia hidrelétrica hoje corresponde a 65% da nossa matriz, mas temos um crescimento muito grande de disponibilidade de outras fontes, como a eólica e a solar.”

Antes do evento, Albuquerque participou de reunião com Pedro Parente, que foi coordenador do comitê de gestão da crise durante o racionamento de energia de 2001/2002. Segundo a assessoria do MME, a pauta da reunião foi a conjuntura hidrológica atual e o fornecimento de energia em 2021.

Parente, que era ministro-chefe da Casa Civil no governo Fernando Henrique Cardoso, recebeu plenos poderes para adotar medidas de enfrentamento da situação na época. Ele foi citado pelo presidente do Fórum das Associações do Setor Elétrico, Mário Menel, em entrevista à Agência CanalEnergia, ao alertar para o problema da governança na administração da crise.

De acordo com Albuquerque, o governo tem recebido sinais de colaboração de todos os agentes, sejam eles políticos, do meio jurídico, e também da sociedade e do setor. Por isso, o ministro disse não ter duvida de que o país tem todos os elementos para superar a crise.

Na semana passada, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico realizou reunião extraordinária para discutir o agravamento da situação dos reservatórios, especialmente na bacia do rio Paraná (que pega o Centro-Sul do pais), onde o caso é mais crítico e a preocupação é “mitigar o risco da perda do controle hídrico.”

A bacia hidrográfica engloba as bacias dos rios Paranaíba, Grande, Tietê e Paranapanema, onde estão localizadas as hidrelétricas com os principais reservatórios de regularização do Sistema Interligado Nacional. A escassez hídrica é resultante do pior período hidrológico dos 91 anos de histórico de chuvas, entre setembro de 2020 e maio de 2021.