ONS: reservatórios devem cair a 10,3% ao final de novembro

Estimativa do ONS leva em conta a adoção de ações para minimizar o uso de água das hidrelétricas, sem ações a previsão é de chegar a 7,6%

O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta que as ações para reduzir o deplecionamento dos reservatórios deverá resultar em uma melhoria do nível de armazenamento ao final do período seco. A estimativa apresentada pelo diretor geral o órgão, Luiz Carlos Ciocchi, é de um nível projetado de 7,5% para 10,3% no subsistema Sudeste/Centro-Oeste. Um nível apesar de mais elevado, ainda crítico.

Segundo o executivo, que participou de audiência na Comissão de Minas e Energia na Câmara dos Deputados na última terça-feira, 15 de junho, essa situação é preocupante. Contudo, descarta qualquer risco de abastecimento e de atendimento à demanda.

“Com a implementação de nossa proposta de ação, o nível em novembro de 2020 deverá ser de 10,3%, ainda é preocupante, mas não teremos problema de energia ou de potência, quando chegar a próxima estação chuvosa”, comentou ele.

Entre as ações que ele citou a principal é a redução das vazões nas UHEs Jupiá (1.551 MW, SP/MS) e Porto Primavera (1.540 MW, SP/MS) para poder liberar mais capacidade de geração de energia de térmicas para atender a demanda instantânea. Além disso, constam desse pacote de ações a preservação dos reservatórios de cabeceiras com a flexibilização dos reservatórios na bacia do Paraná, principalmente em Furnas. Essa ação levaria, segundo cálculos apresentados a um ganho de 3,8% no SIN.

“Essa segunda ação visa segurar a água para mantermos a governabilidade da cascata de usinas nessa bacia, é para que todas as hidrelétricas tenham um nível mínimo de água para que possam ser operadas”, afirmou. “Mesmo com essas flexibilizações, o uso consuntivo, para consumo humano, animal e para a agricultura estão garantidos”, acrescentou.

Para justificar a medida, Ciocchi apresentou dados sobre os reservatórios das UHEs no SE/CO. Comparando 13 de junho deste ano com 2020, em um grupo de 10 usinas nas bacias dos rios Grande, Paranaíba, Paraná e Tietê, metade estava com o pior nível de armazenamento em seu histórico. Nas outras cinco o nível variou entre o 2o pior e o 5o pior em 22 anos de operação do sistema pelo ONS.

O segundo bloco de ações está ou na redução do calado ou até mesmo a paralisação da hidrovia Tietê-Paraná a partir de 1o de julho. Os ganhos nesse ponto variam de 0,5% a até 1,6% de armazenamento a depender da opção adotada quanto a hidrovia. E ainda, a terceira via de ação refere-se à flexibilização da operação dos reservatórios do rio São Francisco com ganho de 0,8% no SIN.

“Se não adotarmos essas ações chegaremos a 2022 em uma condição muito frágil para atender a necessidade de energia no próximo ano”, alertou ele.

Com essas ações o ONS liberaria mais geração térmica. Hoje há disponível no sistema 16,5 GW em usinas dessa natureza. A redução das vazões levaria a menor geração de energia por hidrelétricas no país. Ou seja, consequentemente, o GSF deverá ser mais elevado.