Deságio de leilões A-3 e A-4 reduziram impacto em 1,31 ponto na tarifa, aponta Aneel

Light foi a maior compradora com 80% de toda a energia negociada nesta quinta-feira, 8 de julho

Os leilões desta quinta-feira, 8 de julho, acrescentaram 984,6 MW em nova capacidade instalada no país. Em termos de energia foram contratados 183,3 MW médios resultado em investimentos estimados em R$ 4 bilhões. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, com os deságios médios de 28,82% do A-4 e 30,83% do A-3, o impacto na tarifa da energia e calculado em 1,31 ponto porcentual a menos do que poderia ser alcançado se não houvesse desconto.

Os cálculos da agência reguladora consideram o volume de energia contratado e compara esse montante ao preço inicial ante o efetivamente negociado.

Novamente a Light ficou com o maior volume, somando os dois certames foram 27,8 milhões de MWh de um total de 35,2 milhões de MWh, ou cerca de 80% do total. A outra compradora foi a Equatorial com a Celpa e a Cemar esta última que ficou com cerca de 20% dos contratos no A-3.

Dentre as fontes a eólica é a que mais vendeu energia com 69,8 MW médios, que levaram à viabilização de 419,5 MW em novos projetos. A biomassa somou 41,2 MW médios e potência instalada de 183,6 MW. Enquanto a solar ficou com 37,4 MW médios em projetos que somam 269,3 MW. Já a fonte hídrica teve 34,9 MW médios em quatro PCHs e uma UHE que somam 112,2 MW.

“A economia entre o preço teto e o valor negociado leva a uma economia de R$ 2,5 bilhões evitando um aumento de 1,31 ponto porcentual na tarifa e ajuda a diversificar a matriz já que todas venderam energia”, comentou André Patrus, gerente executivo da Secretaria Executiva de Leilões da Aneel.

O baixo volume negociado e, novamente, concentrado nas mesmas distribuidoras do leilão de energia existente, realizado no final de junho, chamou a atenção. Na avaliação do presidente do Conselho de Administração da CCEE, esses volumes devem-se à sobrecontratação média no Brasil que vai até 2025, segundo dados da entidade. Ele reforçou o que afirmou durante a sua participação no CanalEnergia Entrevista da última sexta-feira, 2 de julho, que essa situação leva a demandas pontuais nesses certames.

Em sua análise apenas após leilões que atenderão a declarações pós 2025 que deveremos ter volumes mais elevados. “A demanda declarada foi atendida, o problema é se temos demanda frustrada por falta de oferta. Vemos com naturalidade esse volume porque estamos em um momento de sobrecontratação das distribuidoras”, comentou.

Segundo o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Paulo Cesar Magalhães, como não será realizado o A-6 deste ano, a energia que poderá entrar a partir de 2026, portanto fora do horizonte de sobrecontratação das distribuidoras, poderá ser negociada no Leilão de Capacidade do final do ano. A decisão ocorrerá a partir de agosto, depois do final da consulta pública sobre o tema que está em andamento no Ministério de Minas e Energia.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Thiago Barral, destacou por sua vez que a perspectiva com a qual o planejador trabalha é de crescimento da carga. Esse fato traz a necessidade de novos investimentos em um âmbito geral. No caso dos leilões para o mercado regulado tem que ser uma demanda declarada pelas distribuidoras. Contudo, lembrou que parte do crescimento do consumo será atendido pelo mercado livre e pela geração distribuída. “Ou seja, há diferentes formas de atendimento da demanda, mas a expectativa é que tenhamos sinais de mais movimento das distribuidoras com montantes maiores que o verificado”, acrescentou.