GNA emite R$ 1,8 bi em debêntures com estruturação do BNDES

Além de participar pela primeira vez de um processo desse tipo, banco adquiriu 30% dos títulos da Gás Natural Açu por R$ 550 milhões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou sua primeira estruturação de debêntures, participando da emissão total de R$ 1,8 bilhão da Gás Natural Açu (GNA). A operação conta ainda com o BTG Pactual como coordenador-líder, além do BNP Paribas, Bradesco e do ABC Brasil como coordenadores no sindicato.

O BNDES também investiu R$ 550 milhões nas debêntures incentivadas para a térmica a gás natural GNA I, localizada no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), com objetivo de atuar também como investidor e dar confiança à empresa e aos investidores de que haverá demanda.

A estruturação, inovadora na história do BNDES, faz parte da estratégia da instituição de atuar em parceria com o mercado de capitais para incentivar e alavancar o potencial impacto dos empréstimos. O banco foi autorizado em 18 de maio pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para participar do sistema de distribuição de valores mobiliários prestando serviços de estruturação, coordenação e distribuição desses ativos.

As debêntures terão prazo total de 18 anos e serão remuneradas a IPCA + 5,92% ao ano. O período total supera em 58% a média dos prazos dos títulos emitidos em 2020 (11,6 anos), conforme o Boletim Informativo de Debêntures Incentivadas do Ministério da Economia.

GNA I possui 1.338,3 MW de potência, volume suficiente para suprir a necessidade de cerca de 6 milhões de domicílios. Com isso, contribuirá para a segurança energética brasileira. Durante a fase de implantação, os empreendimentos da GNA empregaram mais de 12 mil pessoas, sendo grande parte da população local.

A iniciativa representa um esforço de refinanciamento do empreendimento, que já contou com créditos de R$ 1,76 bilhão do BNDES, com garantias do banco alemão KfW IPEX-Bank, e de US$ 288 milhões da International Finance Corporation (IFC), em 2018. Com a nova transação, o IFC deixa a base de credores do projeto.

Para a companhia, a operação representa um alongamento da dívida em cinco anos (até 2039) a um custo menor, e outra  parcela dos recursos obtidos com a emissão também será alocada em despesas relativas à construção da usina e em custos da transação.