Crise hídrica não reduz atratividade de investidores, avalia Eletrobras

Presidente da estatal, avalia que conjuntura não traz impacto na avaliação de interessados na operação de capitalização da empresa, prevista para fevereiro

A Eletrobras acredita que a atual crise hídrica não deverá afetar a atratividade da empresa para os investidores. Na avaliação do presidente da companhia, Rodrigo Limp, apesar de impactos no preço da energia no curto prazo, essa é uma situação conjuntural e que tem pouco peso quando da tomada de decisão por potenciais interessados porque os contratos são de longo prazo.

Em sua análise, a capitalização continua em seu processo normal com os estudos do BNDES devendo ser finalizados até o fechamento do mês de setembro. A partir de então começa outra etapa com a avaliação do Tribunal de Contas da União, órgão de controle com o qual a companhia já vem atuando para apresentar dados que subsidiem a decisão dos ministros daquela instituição.

“Estamos trabalhando com o TCU para o momento em que apresentarmos toda a documentos não haja surpresa. O TCU tem sua legitimidade em questionar e fazer recomendações para que o processo seja ajustado, mas não acreditamos que haja problemas com o cronograma da capitalização da empresa”, afirmou Limp em teleconferência com analistas.

Já em entrevista coletiva sobre os resultados do segundo trimestre do ano, Limp afirmou que não acredita em problemas com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em referência ao porte que a empresa ainda terá em comparação a suas concorrentes.

Segundo ele, a retirada da Eletronuclear e de Itaipu da companhia reduz seu tamanho. Por isso, disse que não deverá ver problema em uma análise e não acredita que seja recomendado venda de ativos, ação costumeiramente solicitada quando uma empresa é dominante em um mercado. A expectativa é de que o processo chegue ao Cade em novembro.

Investimentos
A alavancagem da Eletrobras recuou para 1 vez a relação entre a dívida líquida e o Ebitda, renovando o menor índice dos últimos anos, registrado no balanço do primeiro trimestre. Esse cenário abre perspectivas para acelerar os investimentos que na primeira metade do ano ficaram em menos da metade do orçado.

Os dois principais que a empresa tem em seu foco é a linha de transmissão que ligará Boa Vista (RR) ao SIN, leiloada em 2010 e que agora deverá sair do papel uma vez que a MP 1031 convertida na lei 14.182 prevê a continuidade do projeto. Contudo, Limp afirmou que não é apenas porque está na lei que a obra continuará.

Ele disse que a expectativa é de que as licenças sejam emitidas neste semestre e as obras recomecem ainda este ano, sem dar uma data específica. “Essa é a nossa principal obra em transmissão, a expectativa é de que seja reiniciada neste semestre”, afirmou ele. A Eletronorte é sócia com 49% junto à Alupar, que tem 51%, na SPE que arrematou o projeto no início da década passada.

Já em geração o projeto de Angra 3 teve recurso interposto pelo segundo colocado na concorrência para retomada das obras como o fator que atrasou o que a empresa chama de Plano de Aceleração de Caminho Crítico. O aporte na central ainda teve efeitos da pandemia de covid-19. Agora, disse Limp, a perspectiva é de que o índice de aportes efetuados ante o que era planejado para esse, seja acelerado para que o volume orçado seja parcialmente recuperado.

De um total de R$ 3,5 bilhões esperados, a empresa aplicou 46% desse valor ou R$ 1,5 bilhão. Além da questão da concorrência, atividades de manutenção em Angra 1 e 2 direcionaram a atenção e esforços da equipe da Eletronuclear.

“Quando estimamos o cronograma não imaginávamos que teríamos os recursos como o que foi apresentado. Isso tornou o processo licitatório mais lento. Mas de qualquer forma isso não altera o cronograma da obra da usina que deverá entrar em operação conforme o planejado, em novembro de 2026”, acrescentou a diretora Financeira e de Relações com Investidores, Elvira Presta.