Para ABCE, investimento em fontes perenes não deve ser abandonado

Setor já modernizado teria mitigado impactos da crise hídrica, diz Abraceel

Em painel realizado na tarde desta quarta-feira, 13 de outubro, durante o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico, o presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica, Alexei Vivan, afirmou que apesar da forte inserção de renováveis e o apela da transição energética, o investimento em fontes perenes não deve ser deixado de lado, tampouco seu ambiente de investimento deve ser deteriorado. “Temos que ter um cuidado ao desincentivar, para não corrermos um risco de tornar a nossa matriz menos confiável”, explica.

Segundo ele, está havendo uma migração rápida para uma matriz intermitente. A forte redução na participação da fonte hídrica traz preocupação na operação do sistema. O desafio de operar uma matriz cada vez mais intermitente é grande principalmente em um país em que as fontes firmes predominavam. Esse momento disruptivo em que a modernização e avanços tecnológicos chegam ao mesmo tempo, vai pedir um planejamento cuidadoso.

O presidente da Associação Brasileira das Grandes Transmissoras de Energia, Mario Miranda, que também participou do painel, revelou que nos Estados Unidos, os investimentos na transmissão para renováveis implicarão em um aumento de 15% na tarifa em determinadas regiões. No Brasil, ao observar o PDE, o acréscimo não tem essa intensidade. “O Brasil está muito mais congregado de trabalhar com a fontes renováveis junto com as já existentes sem implicar necessariamente em grandes investimentos de novas transmissões”, ressalta.

Para o presidente executivo da Associação Brasileira das Comercializadoras de Energia, Reginaldo Medeiros, é preciso rever o modelo comercial do setor, uma vez que o modelo atual já se esgotou, resultando em ineficiência e custos repassados ao consumidor. Medeiros lembra que na expansão da geração, 72% do que está em construção no país é destinado ao mercado livre. O executivo mostra preferência pela aprovação do PL 414, por estar em uma etapa de aprovação mais adiantada que o PL 1.917.

Ele refuta a inserção de novos temas nos projetos em discussão e sugere a elaboração de um conjunto de princípios para um substituto enxuto para o PL 414, eliminando temas já superados. Ainda segundo o representante da associação, caso a reforma do setor já estivesse em vigor há seis anos, quando começou a ser discutida, muitos problemas da crise hídrica poderiam ser mitigados. “Todo o mercado já estaria aberto e a resposta da demanda seriam mais rápida”, avisa.

A descontratarão da energia de Itaipu é vista como uma enorme oportunidade de abertura de mercado. Segundo Medeiros, isso vai colocar um grande montante de energia que hoje está sob contrato com distribuidoras no mercado livre. “Quanto mais rápido avançarmos nas reformas, menos problemas teremos no futuro”, aponta.