Captura de carbono é o foco dos estudos para carvão em SC

Entidade aponta que descarbonizar não significa desligar a central que tem uma importância para a região sul do ponto de vista sócio econômico e que movimenta R$ 5 bilhões por ano

Uma das principais ideias que deverá nortear o trabalho do conselho criado para o programa de transição energética viabilizado pela Lei no. 12.599, que ajuda o setor do carvão no entorno da UTE Jorge Lacerda (SC, 857 MW), deverá ser o CCS, ou a captura de carbono. Até porque o país precisa desenvolver esse mecanismo para atender aos objetivos de ser carbono neutro até 2050, não somente para o carvão, mas também para o gás natural e a indústria do petróleo e gás.

Essa indicação foi feita pelo presidente executivo da Associação Brasileira do Carvão Mineral, Fernando Luiz Zancan, em entrevista ao CanalEnergia Live desta sexta-feira, 7 de janeiro. A entidade é uma das que integrarão o conselho, criado para apresentar o plano determinado na lei, em até 12 meses, para a transição naquela região. A matéria sobre a nova lei pode ser acessada aqui.

Zancan lembra que apesar da térmica a carvão ser apontada como uma das mais poluentes, o volume não é tão distante daquelas a gás natural quando se compara todo o ciclo de vida de uma central desde a extração do gás quando comparada às movidas a carvão mais eficientes. E ainda que as emissões brasileiras derivadas do combustível são responsáveis por apenas 0,3%. “Ou seja, não é significante, é traço”, define ele. “Fica o estigma dessa usina, mas é importante ressaltar que temos que ser neutros em emissões em todas as formas de geração”, ressalta.

O mecanismo de captura de carbono, diz ele, aparentemente deverá ser o caminho porque o país já é amplamente renovável. Em suas palavras, um exemplo para o mundo. Mas que por conta da natureza das fontes, é intermitente. Então o Brasil necessitará ter uma parcela de geração ainda a combustíveis fósseis para ter a segurança no abastecimento.

“Essa segurança deve ser alcançada por fontes fósseis de CO2 neutro com nuclear, carvão e gás, então o CCS é o caminho natural para o país”, avalia.

Ele se mostra otimista com essa possibilidade, mas avalia que é necessário ter um Plano B ou C, “caso o CCS não avance”. Ele lista entre as possibilidades estimular o turismo na região, e a adoção de projetos de urbanização de carbono e resíduos zero em Santa Catarina, aliás já há um que está orçado em R$ 1,5 bilhão para criar um ecossistema de inovação e contrato com consultoria israelense perto de ser assinado.

O executivo destaca ainda a importância da térmica no sul do país por ser a responsável por cerca de 20 mil empregos e que faz girar R$ 5 bilhões anuais. Em sua avaliação descarbonizar, não significa fechar essas usinas e sim, buscar alternativas que viabilizem a neutralidade das emissões da central. Inclusive, essa será a tônica das iniciativas que a entidade deverá apresentar para os outros dois estados do Sul do país, que possuem térmicas e constituem-se polos do carvão.

No Paraná a usina é de menor porte, 20 MW, mas no Rio Grande do Sul assemelha-se à catarinense sendo somente uma delas, Candiota, de 700 MW. “Precisamos discutir e incentivar políticas de governo. A ideia é seguir a mesma fórmula aplicada a Santa Catarina”, finaliza.

Fernando Luiz Zancan, presidente executivo da ABCM, foi o entrevistado no CanalEnergia Live desta sexta-feira, 7 de janeiro. A íntegra está disponível em nosso canal do You Tube, TV CanalEnergia. Todas as edições passadas de nossa Live diária, bem como entrevistas e debates podem ser vistos, basta acessar o canal. Aproveite, se não é seguidor, cadastre-se e ative as notificações. O programa é transmitido ao vivo, de segunda a sexta- feira em nossas redes sociais.