Cemig adota vertimento progressivo para regular UHE Três Marias

Estratégia definida junto ao ONS e ANA visa controlar a elevação nos níveis do reservatório hidroelétrico com o recente aumento no regime de chuvas na parte central de Minas Gerais

Visando controlar a subida de nível do reservatório hidroelétrico de Três Marias após o aumento do regime de chuvas nos últimos dias, a Cemig informou que irá iniciar o vertimento das comportas da usina de 396 MW a partir da próxima quarta-feira, 12 de janeiro. A estratégia foi adotada em conjunto com o Operador Nacional do Sistema Elétrico e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e discorre sobre diferentes patamares de liberação.

O vertimento começará sempre pela parte da manhã, inicialmente com a abertura das comportas a 500 m³/s, totalizando 1.350 m³/s de defluência. No dia seguinte a ampliação será para 850 m³/s, somando 1.700 m³/s. Por fim na sexta-feira, 14 de janeiro, a vazão liberada será de 1.400 m³/s, movimentando 2.250 m³/s.

Mesmo com a abertura de comportas, o que não acontecia desde o início de 2020, a companhia afirma que a tendência é que o reservatório continue ganhando armazenamento até o final do mês. Novas ampliações poderão ser necessárias, conforme as afluências a serem verificadas nos próximos dias.

Abertura das comportas para regulação de níveis não era realizada desde o início de 2020 (Cemig)

Com a formação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul – ZCAS desde a última quinta-feira, 6 de janeiro, o estado mineiro vem recebendo volumes significativos de chuva neste início de 2022, sobretudo na maior parte da faixa central do estado. Na bacia do São Francisco a Cemig diz ter observado vazões elevadas em diversos afluentes, como o rio Pará, rio Paraopeba e rio das Velhas, ocorrendo inundações generalizadas em vários municípios.

Esse aumento hídrico nos afluentes que alimentam o reservatório da hidrelétrica Três Marias resultaram em expressivos ganhos em armazenamento num curto período. As afluências na última segunda-feira, 10 de janeiro, atingiram patamares superiores a 5.000 m³/s e a vazão liberada na usina foi ampliada para 850 m³/s para maximização da geração de energia. A perspectiva da companhia é de que a UHE chegue a 8.000 m³/s liberados amanhã.

Evacuação de ilhas fluviais

Já no trecho mais próximo à usina, dado o evento chuvoso que também ocorreu no rio Abaeté nesses últimos dias, houve necessidade de evacuação das ilhas fluviais ao longo do município de Pirapora. O momento do vertimento aproveita o cenário de queda das vazões desse importante afluente que deságua após a barragem, visando não agravar uma situação que já se iniciava no trecho.

Além do rio Abaeté, o São Francisco ainda recebe contribuintes significativos ao longo de seu curso, como rio Urucuia, rio das Velhas e o rio Paracatu. Tais afluentes já vem vivenciando grandes efeitos face ao evento chuvoso adverso, produzindo inundações nos municípios de São Romão, São Francisco e Januária. Entretanto, dado o montante necessário a ser liberado pelo reservatório, é provável que os níveis nessas cidades que apresentaram queda na última segunda-feira voltem a subir ao longo do início da semana seguinte, considerando o tempo de viagem da água.

Para o acompanhamento do comportamento das vazões para trechos mais distantes da usina, ao longo do rio São Francisco, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) disponibiliza o monitoramento e emissão dos informes.