Assembleia deve ratificar greve no grupo Eletrobras no RJ a partir do dia 17

Alterações no plano de saúde e falta de diálogo com direção da estatal motivam paralisação

Os funcionários da holding da Eletrobras, de Furnas e Cepel se preparam para amanhã, 12 de janeiro, ratificar a entrada em greve por tempo indeterminado a partir da zero hora do próximo dia 17. O motivo da greve é a falta de diálogo com a direção por alterações no plano de saúde dos funcionários. A paralisação já havia sido aprovada em assembleia no último dia 7.

A estatal pretende cobrar 40% do plano de saúde dos funcionários, quando anteriormente o pagamento era de 10%. De acordo com Emanuel Torres, da Associação dos Empregados da Eletrobras, no Acordo Coletivo de Trabalho de 2020 foi estabelecido que as alterações no plano teriam por base a CGPar 23, resolução da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União, que limita a contribuição das empresas estatais aos planos de saúde dos empregados.

As lideranças sindicais decidiram pelo não enfrentamento do tema por estarem fragilizadas naquele momento, mas associações entraram na justiça alegando que o acordo foi desfavorável e conseguiram liminares. Segundo Torres, a Eletrobras recorreu e obteve uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho, suspendendo o processo até que o mérito da questão fosse julgado. “A Eletrobras começou a fazer a alteração no plano, mesmo a gente tendo liminar”, explica.

Torres criticou a direção da estatal, que estaria irredutível em não renegociar o assunto. Ainda segundo ele, há um clima de indignação nos trabalhadores, pela inadequação do momento, uma vez que a pandemia ainda persiste e a saúde não pode ser descuidada. Para ele, essa alteração no plano de saúde de certa forma já faz parte do processo de privatização da estatal, com a justificativa de redução de custos. “A categoria vai unida para greve e os trabalhadores estão dispostos a desligar os computadores”, avisa. Os resultados financeiros da Eletrobras também foram destacados pelo sindicalista, além da redução no quadro de funcionários nos últimos anos. “A Eletrobras hoje é uma empresa enxuta, não tinha necessidade de fazer essas alterações no plano nesse momento”, aponta.

A greve também deve abranger os trabalhadores da operação e manutenção de Furnas, que demandaria um esquema especial devido a diferenciação do serviço.