Nordeste deve receber investimentos de R$ 18 bi em transmissão

Valor seria destinado para área Sul da região até 2030. Objetivo é que obras sejam incluídas já em leilão de 2023

Estudos da Empresas de Pesquisa Energética para o escoamento da geração na área Sul da região Nordeste indicam a necessidade de investimentos de R$ 18,2 bilhões em instalações da rede básica nos próximos anos. A área Sul abrange a Bahia e Sergjpe. Desse total, R$ 11,6 bilhões serão para entrada em operação até 2028 e R$ 6,6 bilhões para 2030. Na primeira fase, serão 4.400 quilômetros de LTs, enquanto a segunda etapa tem 2.100 quilômetros de novas LTs. A expectativa é que essas obras já sejam incluídas no leilão de 2023. Os dados foram apresentados em webinar nesta quarta-feira, 19 de janeiro.

Os estudos da EPE foram motivados pela forte expansão da geração de renováveis nas regiões Norte e Nordeste. Com isso, a EPE iniciou avaliações para a necessidade de expansão da malha de transmissão para intercâmbio das regiões com o Sudeste/Centro-Oeste. Nas interligações regionais estudadas, estão sendo considerados corredores expressos, como o bipolo Graça Aranha- Silvânia, que eliminaria restrições operativas no Norte-Nordeste. Já especificamente no Nordeste/Sul. foram analisados expansões em quatro eixos: Oeste (com dois eixos), Central e Leste.

Para o secretário de planejamento energético do Ministério de Minas e Energia, Paulo Cesar Domingues, a expansão vai permitir o atendimento da oferta e a expansão da geração. Os próximos passos serão prosseguir com a consolidação até o fim de janeiro para incluir os dados no plano de outorgas de transmissão. A expansão contempla duas etapas de implantação, uma de caráter determinativo ,que aumenta a capacidade de escoamento. Já a segunda etapa é passível de atuação e vai depender da dinâmica doa acessos. Domingues destacou que os trabalhos para os dois leilões desse ano já estão formatados, seguindo para os certames de 2023.

Guilherme Zanetti, também do MME, explicou que após o relatório da EPE, começa a fase dos relatórios mais detalhados –  envolvendo as empresas – que devem ser entregues até o fim do primeiro semestre para a Aneel. A agência terá até 11 meses para instruir o leilão de LTs, culminando com a sua realização em junho de 2023 e a entrada em operação em 2028. Para ele, o desafio dos relatórios detalhados será o prazo para a entrega à agência, uma vez que são muitos projetos. ´”É um prazo curto para uma elaboração complexa de relatórios”, avisa.

De acordo com o presidente da EPE, Thiago Barral, é importante democratizar o acesso a esse tipo de estudo. A geração renovável cresce e demanda muito pedidos de informações. “A infraestrutura de transmissão é essencial para qualquer planejamento de investimento de qualquer empresa que observa o setor!”, avisa. Ainda de acordo com ele, esses investimentos serão essenciais para a segurança energética do país e não devem ser vistos como custos, mas sim como benefícios.

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