Auren Energia buscará mais contratos de curto prazo

Companhia quer aproveitar maior desconto no fio mas não descarta acordos de longo prazo, como nos 67% já comercializados dos parques eólicos Ventos do Piauí II e III

Com 3,3 GW operacionais, sendo 71% hídricos e 29% eólicos, a estratégia de comercialização da Auren Energia, antiga Cesp, seguirá primando pelo equilíbrio do portfólio, mas buscando mais contratos de curto prazo devido ao desconto maior no fio do que os grandes acordos envolvendo as fontes renováveis complementares, que tem apresentado benefícios e spreads menores.

“Vamos tentar buscar a melhor forma de alocar essa energia maximizando o prazo menor mas não descartando também novos contratos longos”, disse em teleconferência ao mercado nessa terça-feira, 29 de março, o diretor-presidente da nova empresa, Fábio Zanfelice, que também preside a controladora da empresa, Votorantim Energia.

Um desses casos é dos parques Ventos do Piauí II e III, que tiveram 67% da energia já vendida até 2032. A montagem dos aerogeradores foi iniciada em fevereiro desse ano e o comissionamento das primeiras torres deve começar em abril. A operação completa de 409 MW é prevista para novembro de 2022 e acontece a partir de um financiamento de R$ 1,6 bilhão do BNDES.

Na avaliação de Zanfelice, a empresa possui uma combinação de ativos hidrelétricos e eólicos que se complementam ao longo do ano e tendem a reduzir o risco do portfólio como um todo. No lado da comercialização ele chama a atenção para os investimentos que visam acompanhar a abertura do mercado.

“A forma de atender com os produtos e soluções serão diferentes das vistas hoje no mercado, tanto em atendimento quanto ao nível de risco que os agentes do setor terão para as novas demandas”, destaca, afirmando que estarão melhor posicionadas as companhias que tiverem um histórico e aportes em digitalização para transações com capilaridade e de forma ágil.

Quanto ao desenvolvimento do pipeline o executivo concordou que o Capex da fonte solar tem aumentado muito em função da pandemia e pela crise na cadeia de suprimentos na China. “Temos observado que o pico aconteceu em setembro e outubro do ano passado e que está reduzindo em 2022, porém não chegando aos padrões de preço pré-pandemia”, aponta.

A Auren avança com 2 GW de potência em novos projetos na carteira, sendo a maioria solares, casos de Sol do Piauí (68 MW) e Jaíba V (516 MW) e Helios (1,2 GW). Já a hidrelétrica de Corumbá aparece com 160 MW de capacidade. “Temos um projeto híbrido de menor porte e financiamento contratado bastante competitivo. Jaíba deve entrar em 2024 e ainda temos um tempo para observar os preços”, referiu Fábio.

Questionado sobre preço e estratégia de vendas, o diretor-presidente ressaltou que no longo prazo sempre deverá seguir a tecnologia candidata a ser a mais competitiva, na faixa de R$ 150 e R$ 160 o MWh para a solar, sendo esse o número trabalhado pela companhia para o futuro.

“No curto prazo a expectativa é que o preço abaixe devido as e perspectivas de armazenamento além da revisão dos modelos de formação de preço no ano que vem, para tentar evitar o deplecionamento excessivo dos reservatórios”, define.

Sobre a nova capacidade, Zanfelice salientou que o setor opera com uma sobreoferta, o que acontecia também no ano passado mas que a baixa hidrologia impactou, fazendo os preços subirem. “O que observamos é que o armazenamento do SIN não vai aumentar então cada vez mais a relação carga x armazenamento ficará menor”, comentou, acrescentando que a intermitência das novas renováveis exigirá armazenamento pois causará pouco mais de volatilidade no mercado pelos próximos anos, com períodos de alta e baixa.