Preços de mercado é condição para ambiente competitivo, afirma Coelho

Novo presidente da Petrobras tomou posse nesta quinta-feira, 14 de abril

O novo presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, defendeu  o modelo de gestão da estatal e uma melhor comunicação com a sociedade, ao assumir o cargo nesta quinta-feira, 14 de abril. O executivo não mencionou diretamente a política de preços da empresa, mas disse que “a prática de preços de mercado é condição necessária para a criação de um ambiente de negócios competitivo, para a atração de investimentos, para a atração de novos agentes econômicos no setor, para a expansão da infraestrutura do país e a garantia do abastecimento.”

Ferreira Coelho também ressaltou que embora o país seja autossuficiente e até exportador de petróleo e óleo cru, também é importador de vários tipos de combustível, como o gás de cozinha, a gasolina, o óleo diesel e o querosene de aviação, “o que impõe aos agentes de mercado e ao governo federal grandes desafios para a garantia do abastecimento.”

Indicado pelo ministro Bento Albuquerque para substituir Joaquim Silva e Luna, após a desistência do consultor Adriano Pires, o novo CEO da Petrobras teve seu nome aprovado hoje pelo Conselho de Administração da empresa. Luna foi demitido por resistir a tentativas de interferência do governo na política de reajustes da estatal, que tem acompanhado a oscilação dos preços dos combustíveis no mercado internacional.

No discurso de posse, o ex-secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia afirmou que vai trabalhar de forma aderente com o plano estratégico da Petrobras para os próximos quatro anos. Destacou como objetivo a maximização do valor do portfolio da empresa, com foco em ativos em águas profundas e ultra profundas e prioridade para os investimentos em exploração e produção no pré-sal.

A empresa manterá o programa de desinvestimentos na malha de transporte de gás, na produção em campos maduros onshore e offshore e no refino. E segue comprometida com a abertura do mercado de gás natural, mantendo o foco na venda de ativos da Gaspetro, da TBG (responsável pelo gasoduto Bolívia-Brasil), da TSB (Transportadora Sul Brasileira de Gas), além de buscar novas modalidades de comercialização de gás que sejam adequadas às necessidades do clientes.

O executivo reforçou ainda o comprometimento com a transição energética, com  atuação visando à mitigação das mudanças climáticas, ao melhor aproveitamento dos recursos hídricos, ao aprimoramento na gestão dos resíduos de processos e a preservação da biodiversidade. “Todas essas ações estão contidas no envoltório de uma governança corporativa robusta , já existente, mas que pretendemos fortalecer e aprimorar ainda mais.”

Ele lembrou que em 2014 a divida bruta da Petrobras era de cerca de US$160 bilhões, e com o novo modelo de gestão da empresa essa divida hoje é inferior R$60 bilhões. Somente em 2021 foram investidos US$ 8,8 bilhões.

O papel da estatal na transição energética também foi mencionado por Bento Albuquerque. Segundo o ministro, a conjuntura atual traz dois tipos de preocupação: a segurança energética global e a necessidade de acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Nesse contexto, o setor de petróleo e gás continuará relevante nas próximas décadas no mundo e também no Brasil, e os recursos gerados serão fundamentais para financiar essa mudança.