Legado comercial das térmicas ficará por anos, afirma CCEE

Custo da geração térmica por segurança energética somou R$ 24,3 bilhões em 13 meses para combater a crise hídrica

O presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, Rui Altieri Silva, defendeu uma mudança da matriz elétrica nacional. O executivo destacou durante sua participação no Agenda Setorial 2022, realizado nesta segunda-feira, 18 de abril, que o legado das térmicas deverá ficar por muito tempo na parte comercial do setor elétrico nacional. O custo das térmicas de outubro de 2020 a novembro de 2021 é calculado em R$ 24,3 bilhões, isso apenas no despacho por segurança energética.

“Com esse valor, acredito que a Aneel terá que divulgar índices de reajustes anuais na casa de dois dígitos”, comentou ele no painel de abertura do primeiro evento do Grupo CanalEnergia, by Informa Markets em 2022.

Apesar de criticar as térmicas que operaram nesse período, ele destacou que essa mudança da matriz precisa estimular a entrada de usinas a gás natural que são mais modernas e eficientes. Afinal, lembrou ele, não é possível operar um sistema da dimensão do Brasil sem essa modalidade de geração. Altieri lembrou que no ano passado essas usinas foram responsáveis por 20% da geração do Brasil. Segundo ele, uma parcela importante que ajudou o país a superar a crise hídrica mais grave da história.

“Precisamos aproveitar essa janela de oportunidade para rever a nossa matriz, pois temos visto um mercado com liquidação na ordem de R$ 5 bilhões, qualquer problema que ocorre, a consequência é grande”, destacou.