Plano de contingência recupera principais reservatórios do país, diz ANA

Estratégia no período úmido restringiu vazões das principais barragens para proporcionar retorno a patamares que aumentam a segurança hídrica das bacias dos rios Grande, Paranaíba, São Francisco e Tocantins

Iniciado em 1º de dezembro de 2021, o Plano de Contingência para a Recuperação de Reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) elaborado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) chegou ao fim de sua vigência no último sábado, 30 de abril. Os lagos de Três Marias (MG), Sobradinho (BA), Itumbiara (GO/MG), Furnas (MG) e Marechal Mascarenhas de Moraes (MG) superaram o patamar de 70% de seu volume útil, com as barragens contribuindo para a produção de energia nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste.

Somente nas bacias dos rios Tocantins e São Francisco foram observadas afluências acima da média. Na bacia do Velho Chico as medidas adotadas e vazões possibilitaram que o maior reservatório nordestino, Sobradinho, atingisse sua capacidade máxima, chegando a 99,85% de seu volume útil em 30 de abril. Nas demais bacias foram observadas afluências próximas às médias, o que demonstra a importância das medidas implementadas no plano de contingência.

Serra da Mesa (GO) e Emborcação (GO/MG) ficaram com armazenamento de 64,8% e 68% respectivamente, sendo que Serra da Mesa, no rio Tocantins, é o maior reservatório do Brasil e um dos maiores do mundo e teve seu armazenamento quase triplicado no período úmido. Já em Emborcação, no rio Paranaíba, os níveis saltaram de menos de 15% – o menor percentual entre os reservatórios citados – para quase 70% entre dezembro e abril.

Entre essas sete hidrelétricas que contaram com as medidas operativas do plano, em cinco o armazenamento hídrico em 30 de abril foi o maior nos últimos dez anos para essa data: Serra da Mesa, Sobradinho, Emborcação, Itumbiara e Furnas. Somente em Três Marias, que tem liberado mais água para evitar a mortandade de peixes, e Marechal Mascarenhas de Moraes, com grande oscilação pela sua menor capacidade de retenção, atingiram o segundo maior volume útil dos últimos dez anos.

Em Serra da Mesa a vazão de aproximadamente 65% no fim do período chuvoso não ocorria desde agosto de 2012. Já Furnas, no rio Grande, opera com 85%, o que não acontecia desde abril de 2012. Ainda considerando os últimos dez anos na variação dos volumes desses sete reservatórios, os ganhos de armazenamento variaram entre 41 e 66 pontos percentuais – melhor condição da última década – durante a vigência e determinações específicas da ANA.

Nas usinas de Jupiá e Porto Primavera, que operam a fio d’água no rio Paraná, na divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, a redução das vazões liberadas buscou diminuir a demanda por escoamento dos reservatórios acima deles, principalmente das bacias dos rios Grande e Paranaíba.

O Plano de Contingência foi elaborado com base em estudos e simulações realizados pela ANA, considerando a possibilidade da repetição de anos desfavoráveis em termos de chuvas no contexto da crise hidroenergética de 2021. Também foram consideradas as discussões com partes interessadas no tema, promovidas pela Agência, assim como as normas e restrições existentes quanto aos usos da água e aspectos ambientais.

Assim o regulador definiu as vazões máximas que poderiam ser liberadas durante o período úmido pelos principais reservatórios do setor, escolhidos por sua posição de cabeceira nas bacias, por estarem com baixos volumes armazenados no fim do ano passado, além da importância para segurança hídrica das bacias contempladas ou pela existência de conflitos com outros usos da água diferentes da geração hidrelétrica.