CDPQ vai comprar duas hidrelétricas da EDP no Amapá

Operação deve acontecer até julho e companhia quer alienar também a UHE Mascarenhas nesse ano para focar num portfólio renovável e menos hídrico, confirmando também participação nos leilões desse ano

Seguindo com sua estratégia de um swap de geração renovável e menos hídrica, a EDP Brasil definiu com o grupo de investimentos globais CDPQ a venda de suas participações de 50% nas hidrelétricas Jari (392,95 MW) e Cachoeira do Caldeirão (219 MW), disse o CEO da empresa, João Marques da Cruz, durante teleconferência sobre os resultados trimestrais da empresa nessa quinta-feira, 5 de maio. Ele também afirmou que o processo para a alienação da UHE Mascarenhas (ES-198 MW) está parado no momento, mas a intenção segue em vender o ativo.

“São dois processos em paralelo, entre as duas usinas no Amapá contratadas (Jari e Cachoeira) e outra que não está com a energia vendida ao mercado. Dois mundos distintos mas que estamos caminhando com objetivo de fechar as primeiras vendas em julho e Mascarenhas até o fim do ano”, informa o executivo. Juntas as usinas somam 809 MW de capacidade instalada. Os valores não foram revelados.

João também atualizou o status do novo projeto solar em parceria com a EDP Renováveis, e que prevê 321 MWp com investimento médio no mercado para esse tipo de geração variando entre R$ 3,5 a R$ 4 milhões o MWp. Novo Oriente ficará em Ilha Solteira (SP) e conta com 70% da energia já alocada para as modalidades de produção independente e autoprodução no mercado livre, tendo sinergias também a outro projeto FV da empresa, Pereira Barreto (SP).

Hidrelétricas negociadas com fundo canadense iniciaram operação em 2014 e 2016 em parceria com a CTG Brasil  (EDP)

Na apresentação ele disse que a ideia da companhia é se preparar para a liberalização do mercado, com a ambição de ser um grande ator em meio a alteração na cadeia de serviços no setor de energia. Perguntado sobre possíveis atrasos na entrega de painéis FV vindos da China, o CEO lembrou a importância da parceria com o braço de renováveis do grupo português, que atua com projetos em 28 países.

O vice-presidente de Solar e Clientes, Carlos Andrade, complementou, afirmando que as compras globais com o parceiro constituem uma grande vantagem em momentos difíceis e o que se observa no mercado é um aumento de preços. “Não há nenhuma sinalização de atraso mas sensibilidade de preço desde a pandemia. Antes pagávamos 19 centavos o kWp da placa, agora está em cerca de 28 centavos”, refere.

Oportunidades

Para este ano João Marques observa dois fatores importantes para a companhia melhorar sua rentabilidade, além da concretização da venda das UHEs: as revisões tarifárias de agosto na concessão do Espírito Santo e em outubro em São Paulo, e a oportunidade em Pecém com o leilão de capacidade, que pode acontecer no final do ano.

No leilão de transmissão de junho a empresa irá entrar para ganhar um ou dois lotes, estudando no momento aqueles que seriam os mais interessantes. Já quanto a uma possível compra da Celg-D, o CEO disse ser uma obrigação da EDP avaliar esses processos nos segmentos aderentes, mas que nesse momento não é claro se a oportunidade está ou não no mercado.

“Se fossemos nesse processo, o que não é o caso, teríamos que encontrar uma solução pois a disciplina financeira não tem preço, está sempre acima de qualquer critério”, finaliza.