Mudança no MME ocorre em momento de desafios, aponta Nivalde de Castro

Ex-ministro era importante na interlocução com o Congresso Nacional e ajudava a mitigar efeitos eleitoreiros de curto prazo que jabutis imprimem a projetos no legislativo

A saída do almirante Bento Albuquerque do Ministério de Minas e Energia pode deixar um vácuo na intermediação entre o Governo Federal e o Congresso Nacional. E essa alteração ocorre em um momento bastante inoportuno uma vez que está na reta final de tramitação o PL 414 que pode ser alvo de um grande número de jabutis e ainda a interferência da Câmara dos Deputados por meio do PDL 94/2022 que pretende suspender os aumentos tarifários da Aneel deste ano.

Segundo a análise do coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ, Nivalde de Castro, os investimentos no setor podem sofrer uma paralisação diante das incertezas que a mudança de comando do MME causam. O acadêmico foi o entrevistado no CanalEnergia Live desta quarta-feira, 11 de maio, que repercutiu a saída do almirante Bento Albuquerque do MME.

Veja a entrevista na edição de hoje:

“O setor elétrico hoje tem a participação predominante de grupos empresariais sólidos. São empresas nacionais e estrangeiras que investem bilhões. Imagina por exemplo a proposta indecorosa de querer não aplicar reajustes tarifários. Como explicar isso nos conselhos das empresas?”, exemplifica o acadêmico quando cita a importância de ter uma interface atuante com o Congresso, papel que o almirante desempenhava.

“Nossa avaliação é que há um risco grande de não conseguir barrar os interesses eleitoreiros, e alguns muito populistas, sobre o setor elétrico”, afirmou.

Castro lembrou que os investimentos no setor são o reflexo de um marco regulatório consistente e de respeito aos contratos. Destacou que a regra de reajustes de combustíveis mudou em 2017 e que isso não depende mais de decisões do executivo, regra essa que blindou o segmento da conveniência de anos eleitorais.

“O chefe do executivo fica sem capacidade de explicar esse fato que ele não pode alterar os preços e só resta falar mal de dirigentes e trocar um ministro ou presidente de estatal”, apontou. Essas oscilações, avalia ele, “tem efeito nos investimentos que são paralisados até que se passe as eleições e o setor volte à normalidade, protegido de interesses populistas tarifários que vamos atravessar até outubro”, concluiu.

Nivalde de Castro participou do CanalEnergia Live desta quinta-feira, 11 de maio. A íntegra da entrevista está disponível em nosso canal do YouTube, TV CanalEnergia. Esse e as demais edições estão disponíveis a todos os usuários, aproveite e cadastre-se e ative as notificações para ficar sempre informado das novidades do CanalEnergia.