Oferta de preços precisa caminhar com outras ações, aponta Volt Robotics

Adoção de medidores inteligentes para melhor comunicação com os consumidores seria um dos caminhos para deixar o mercado mais eficiente e equilibrado

O Brasil poderia ter um modelo de formação de preços por oferta implementado em cerca de quatro anos no país. Essa mudança é apresentada como um dos caminhos para melhor relação entre a oferta e o consumo, mas teria que ser implementada em paralelo à modernização do setor elétrico como um todo. Entre eles a instalação de medidores inteligentes, e modelos mais aderentes à realidade e com mais governança.

Segundo o CEO da Volt Robotics, Donato Filho, essa situação ainda está em um momento afastado no país. O que temos, disse, é um modelo que não tem seus resultados respeitados porque não reflete as necessidades do sistema. Em sua avaliação esse desenvolvimento faria com que o setor elétrico fosse mais eficiente.

Ele toma como base a experiência na Califórnia (Estados Unidos), onde há incentivos pagos em dinheiro para que o consumidor reduza seu consumo de energia para evitar custos mais elevados de térmicas que estão de backup. “É um programa de resposta da demanda aplicado de forma mais ágil de dinâmica, com medidores inteligentes é possível verificar essa redução e pagar o valor ao consumidor que atendeu a um pedido de distribuidora local”, comentou. “As ações para que tenhamos essa possibilidade devem andar em paralelo, não apenas de um lado, as coisas têm que caminhar bem para mostrar quão distante da operação o modelo está”, acrescentou.

Inclusive, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica deverá colocar ao mercado um edital de contratação para um estudo referente a essa alternativa. Com recursos a fundo perdido do Banco Mundial, a entidade providenciará análise sobre qual modelo poderá ser mais adequado para o país, se por oferta ou manter como é o atual, por custo.

Rodrigo Sacchi, gerente de Preços da CCEE, disse que a ideia é avaliar as alternativas de modelos para o país e trazer elementos para a discussão no País. “Não dá para dizer hoje qual delas seria a melhor para o Brasil, a ideia é estudar e apresentar dados que possam subsidiar a decisão entre uma ou outra escolha”, comentou.

Segundo a estimativa atual, os trabalhos deverão ser iniciados em setembro deste ano e devem durar cerca de 30 meses. Os resultados serão enviados ao Ministério de Minas e Energia que poderá, eventualmente, iniciar as discussões sobre o assunto.

Sacchi destacou que a entidade registrou o interesse de diversas empresas nesse projeto e que agora deverá iniciar a segunda fase. Com o lançamento do edital que deverá ser publicado nas próximas semanas a CCEE receberá a proposta técnico-comercial das interessadas. A partir desses documentos é que escolherá a vencedora da concorrência.

Inclusive, preço por oferta foi um dos painéis do evento que a CCEE realizou em São Paulo nesta quarta-feira, 25 de maio. O gerente de Assuntos Regulatórios e de Mercado da Engie apresentou o andamento do P&D da Aneel que a empresa desenvolveu com a PSR e a própria Volt Robotics. Segundo ele, em geral, no modelo por oferta, o agente precisará se preocupar com a maximização de resultados pensando no momento inicial e no monitoramento de suas posições ante o lance de demais agentes. E que um prazo de quatro anos é factível para que o país possa implementá-lo

Os trabalhos estão sendo finalizados com os resultados disponíveis de forma on line no site www.precoporoferta.com.br onde as discussões e os trabalhos desenvolvidos estão disponíveis.