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Os estudos técnicos que subsidiarão o Ministério de Relações Exteriores na negociação do Anexo C da Itaipu Binacional já foram entregues. Mas as rodadas para definir o futuro da UHE Itaipu (Brasil/Paraguai, 14.000 MW) após agosto de 2023 ainda não foram negociadas. Antes desse momento é necessário que se defina a tarifa de 2022. Há hoje um impasse com o país vizinho que deseja manter a tarifa em US$ 22,60/kW por mês enquanto o Brasil defende a redução a US$ 18,97/kW por mês seguindo o que rege o tratado que data de 1973.

O diretor geral brasileiro de Itaipu, almirante Anatalício Risden Júnior, recebeu a Agência CanalEnergia, e falou sobre o atual momento da usina que está prestes a ver uma importante mudança. O primeiro ponto é a proximidade da data estabelecida em 1973 para o acordo comercial regido no Anexo C. O segundo é o maior processo de modernização tecnológica pelo qual a usina passará desde o início de sua operação comercial, cujo contrato de US$ 649 milhões foi assinado em 23 de maio.

Tarifa 2022
Segundo Risden Júnior, o Brasil defende que o Tratado de Itaipu seja cumprido e o Paraguai não quer alteração no valor. Por isso, a tarifa de 2022 ainda não foi definida – e consequentemente as negociações da revisão do Anexo C não foram iniciadas. A negociação, vale lembrar, é feita entre os chanceleres de ambos os países e não estão no âmbito da usina nem do Ministério de Minas e Energia que ajudam nesse processo.

O executivo era diretor financeiro até o início desse ano, quando assumiu o cargo de diretor geral e foi alçado à condição de negociador da tarifa com a contraparte paraguaia. Risden Júnior destaca que houve uma amortização importante da dívida em 2021, em cerca de US$ 600 milhões. Ao mesmo tempo, sinalizou, nos últimos três anos foi colocada em prática uma política de redução de custos que culminou em despesas em mais de US$ 100 milhões a menor.

“Com a redução de custos e de dívida temos a nossa proposta que é a de uma tarifa de US$ 18,97. Queremos apenas cumprir o que diz o tratado”, Anatalício Risden Junior, de Itaipu Binacional

“Essa política de redução de custos dentro da empresa foi muito forte, saímos de algo na casa de US$ 900 milhões para US$ 796 milhões justamente preparando a empresa para o futuro”, indica. “Com a redução de custos e de dívida temos a nossa proposta que é a de uma tarifa de US$ 18,97. Queremos apenas cumprir o que diz o tratado”, defende.

Ele explica que, em linhas gerais, a planilha financeira de Itaipu é formada por quatro grandes frentes. A primeira é a dívida, que termina em março de 2023. A segunda trata dos encargos da dívida. O terceiro é o custo conhecido como PMSO, relacionado ao dia a dia da operação da usina. E o quarto refere-se à conta gráfica que varia de acordo com a produção de energia e a receita da geradora.

Nessa linha, explicou o diretor geral, o valor de US$ 22,60/kW por mês que o Paraguai quer manter para 2022 decorre da não redução de custos pelo sócio. “No ano passado fizemos um esforço para ajudar na contenção da tarifa junto à Aneel e participamos com US$ 62 milhões, o Paraguai também queria mas não teve redução de custos, para isso querem compensar com a tarifa mais alta. Mas a nossa posição é clara, de redução de custos preparando para 2023”, pontua.

Para continuar nessa linha descendente, conta o almirante, a parte brasileira de Itaipu Binacional passará a aplicar o Orçamento Base Zero a partir de janeiro de 2023. O trabalho para a implementação desse instrumento está em andamento na geradora.

Modernização
Em 2 de maio a Itaipu Binacional assinou o contrato para a maior atualização tecnológica em seus cerca de 40 anos de operação. O valor desse acordo é de US$ 649 milhões junto ao consórcio vencedor da concorrência internacional. Os trabalhos foram iniciados 21 dias depois.

A modernização compreende a avaliação e substituição de equipamentos e sistemas de supervisão, controle, proteção, monitoramento, medição e suas respectivas interfaces com os processos de geração, subestações, vertedouro, os equipamentos auxiliares da barragem e da casa de força.

No entanto, em paralelo a essa questão está como será alocado o valor do contrato que será dividido entre os sócios. Risden Júnior disse que o Paraguai defende que o valor seja coberto fora da tarifa atual como custo da empresa. Enquanto isso, a posição brasileira é de que o valor seja absorvido pela tarifa ao consumidor.

Diretor Geral do lado brasileiro de Itaipu Binacional, Anatalício Risden Júnior, fala sobre os próximos passos da empresa

“Temos um fundo de reserva que fizemos para pagar a dívida que absorve o pico dos valores desses investimentos para manter a tarifa e não elevar o valor. Montamos uma estrutura financeira para algo entre 5 e 10 anos e estudamos a melhor maneira, se eu deixo todo esse valor e elevo a tarifa, lá na frente não conseguimos reduzir o valor ao consumidor”, avalia.

Outros Investimentos
Com a proximidade da conclusão de um extenso programa de obras executadas na região, o diretor geral aponta que os investimentos deverão continuar a serem executados.

Ele conta que não são apenas aportes em obras como a segunda ponte entre o Paraguai e o Brasil ou a modernização do aeroporto. Lembra do aporte de cerca de R$ 1 bilhão feito na modernização da transmissão em Furnas. Cita novamente o valor para ajudar a conter os reajustes tarifários decorrentes da crise hídrica de 2021. Esse movimento, diz, é derivado das sobras de valores da economia e redução de custos que vem sendo feito em Itaipu.

“Fizemos a revisão de 240 contratos e economia com pessoal e gestão, essas ações viabilizaram tudo e agora que trouxemos o custo para baixo. A empresa tem essas sobras que permitem continuar a fazer projetos, mas com o orçamento base zero vamos ter espaço, desde que se prove que o projeto é bom e a sobra permita o aporte”, destaca.

Outro destaque que o executivo ressalta é o plano de longo prazo que está sendo implementado na usina. Risden Júnior aponta que esse planejamento vem sendo trabalhado e será deixado em documentos pensando no futuro da usina, citando que esse norte pode ser aplicado em diferentes cenários em um período de 5, 10 ou até 20 anos.

* O repórter viajou a convite da Itaipu Binacional