CSN alcança autossuficiência em energia com CEEE-G

Empresa calcula redução de custos de 60% considerando o controle de todo a energia que consome em suas atividades mais os benefícios ao evitar pagamento de encargos do setor elétrico

A aquisição da CEEE-G pela CSN coloca a empresa que nasceu como siderúrgica em uma posição mais confortável em relação a seu custo de produção. Agora, a companhia que também atua em mineração e no segmento de cimentos, deverá continuar a buscar ativos de energia, mas de forma menos incisiva, pois conseguiu ser autossuficiente na geração. Apesar disso, a CSN vê energia como um novo nicho de negócio devido à característica de retorno estável e de longo prazo com os ativos que detém agora.

Essa declaração foi dada pelo diretor Executivo de Finanças da empresa, Marcelo Cunha Ribeiro. Segundo ele, a companhia conseguirá reduzir em 60% seu custo de produção, considerando todo o grupo. Nessa conta estão o custo da energia propriamente dito e os benefícios de ser autoprodutor.

“Agora estamos long em energia [em posição de sobra de energia, no jargão financeiro] e agora é justo dizer que investir nesse negócio é mais pela oportunidade que aparecer do que nosso apetite por novos projetos. Agora temos trabalho para integrar esses ativos e novos projetos eólicos e como esse é o DNA da empresa [avaliar potenciais negócios] vamos ficar atentos a oportunidades. Nossa estratégia agora é de não ir mais ativamente ao mercado”, disse ele.

Segundo os cálculos da empresa, o balanço consolidado da CSN apresentará um impacto positivo em seu ebitda no longo prazo de R$ 334 milhões ao ano com essa estratégia em ser autossuficiente em energia elétrica.

“Agora que estamos long em energia é justo dizer que investir nesse negócio é mais pela oportunidade que aparecer do que nosso apetite por novos projetos”, Marcelo Cunha Ribeiro, da CSN.

A demanda operacional das empresas do grupo somam atualmente 442 MW médios e aumentam progressivamente até alcançar 613 MW médios a partir de 2026. Com a aquisição da CEEE-G, a CSN Energia conta com 1 GW em usinas próprias e mais participações minoritárias em 13 outras centrais que somam 356 MW.

Antes da CEEE-G a CSN Energia já estava com duas PCHs que somam 36,3 MW de potência instalada, e ainda a UHE Quebra Queixo, com 120 MW. À exceção de uma PCH no Mato Grosso, todas as demais estão na região Sul do Brasil.

Especificamente sobre os ativos da ex-estatal gaúcha, a CSN tem como meta utilizar 56% da energia como autoprodução para o grupo. Outros 30% serão colocados em contratos de longo prazo com terceiros e outros 14% serão deixados descontratados para serem negociados no mercado de curto prazo.

Um dos pontos destacados pela empresa é de que o impacto da aquisição no balanço da empresa não será elevado. A estimativa é de que o índice medido pela dívida líquida sobre o ebitda, aumente de 0,89x para 0,98x quando tomado como base os números de março de 2022. Nesses valores são considerados os impactos positivos de R$ 334 milhões citados anteriormente pelo executivo.

Fonte: CSN

O valor pago pelas ações é de R$ 928 milhões pelas ações da geradora, desconsiderando eventual tag along à Eletrobras, R$ 1,9 bilhão pelo bônus de outorga das concessões por 30 anos e a perspectiva é de investimentos de R$ 1 bilhão nos primeiros 15 anos. Com esse aporte nas usinas a produção de energia deverá passar de 332 MW médios em 2023 para 391 MW médios em 2030.

“O retorno esperado é de 21% sem considerar outros upsides como a possibilidade de comprar participações minoritárias em outras geradoras. Esse é o retorno que qualquer um que investisse teria e nós identificamos além disso a sinergia de capex e opex, algo que outros concorrentes não tinham”, destacou o diretor em teleconferência com investidores.

Outro passo que deverá ser tomado em breve e previsto no edital de leilão é a CSN fazer a oferta pública de ações para outros acionistas. Entre eles, o diretor citou a Eletrobras que, segundo ele, poderá vender a um preço “interessante” segundo suas palavras, o que permite o aumento do retorno do investimento para a CSN.

Ao final da teleconferência, o presidente do conselho da companhia, Benjamim Steinbruch, reafirmou a vocação da CSN como uma empresa de produção nas áreas de siderurgia, mineração e cimento. E disse que ter o controle de itens da cadeia de custos tão importantes para essas atividades é fundamental.

“Somos industriais e permaneceremos assim, os negócios estão definidos são de produção em mineração siderurgia e cimento. Temos infraestrutura, logística e energia como serviços complementares da produção e nos manteremos na nossa origem”, comentou ele ao final da apresentação ressaltando que as finanças da companhia deverão manter-se em ordem com um nível de alavancagem abaixo de 1 vez a relação entre a dívida líquida sobre o ebitda.