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Animados com a abertura total do mercado livre aos consumidores em alta tensão a partir de janeiro de 2024, os comercializadores de energia se preparam para disputar o mercado de varejo, formado por clientes com carga individual abaixo de 500kW. Um nicho que promete ser bastante concorrido, começando com a ponta final do chamado Grupo A para se estender, nos anos seguintes, ao grupo de baixa tensão, um universo ainda mais numeroso de potenciais clientes de pequeno porte.

Não é à toa que o segmento ficou eufórico com a publicação da Portaria Normativa 50 na última quarta-feira, 28 de setembro. O ato do Ministério de Minas e Energia não apenas remove as barreiras de migração de consumidores em alta tensão, como estabelece que aqueles com cargas menores deverão ser representados por agente varejista na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. A corrida por fatias desse mercado deve se intensificar no ano que vem.

Dados da CCEE mostram um começo tímido em 2016, com apenas dois varejistas registrados. O mercado começou a ganhar impulso a partir de 2019, quando já haviam 18 empresas no segmento. O número saltou para 25 em 2020, chegou a 39 em 2021 e a 50 até agosto desse ano.

Os sócios-diretores da Ecom Energia, Paulo Toledo e Márcio Sant’Anna, destacam que a representação pelo comercializador varejista vai desburocratizar o processo para os clientes menores que migrarem do ambiente regulado para o mercado livre. Sant’Anna lembra que parte desse público estava sendo direcionado para a geração distribuída, para fugir dos custos do mercado cativo.

“Acreditávamos que a decisão viria somente após às eleições, mas o anúncio reforça o quanto esse assunto é relevante para o avanço do mercado e, principalmente, para a sociedade”, disse o executivo.

Com o fim das barreiras de acesso, ele prevê uma “uniformização na competitividade”, eliminando situações em que um cliente com 500 kW tinha um custo de energia mais baixo que o do vizinho com carga de 300 kW. Além disso, o modelo comercial vai ser mais simplificado, o que abre oportunidade para a digitalização no mercado.

Para Toledo, mais que liberdade de escolha do fornecedor, esse consumidor terá sua vida no mercado livre desburocratizada, pois não precisará aderir à CCEE e seu controle financeiro será realizado pelo varejista.

A Ecom Energia é uma das empresas que se habilitou recentemente para atuar como comercializador varejista, de olho nesse novo perfil de consumidor. O registro é de junho de 2022. “Estamos nos preparando para chegar forte no varejo e ampliar a oferta do mercado livre para esses consumidores. Dessa forma, estamos direcionando investimentos em digitalização e segurança, por exemplo, para atender as atuais e futuras demandas do mercado”, disse Toledo.

O diretor-presidente da Electra Energy, Claudio Alves, vê a abertura do mercado de energia para todo o Grupo A como “um passo histórico muito aguardado pelo mercado desde a sua criação, há mais de 25 anos”, que vai contribuir para uma melhora expressiva da economia, ao permitir o acesso das empresas a uma energia competitiva.

“Também vai favorecer a evolução do setor elétrico em particular, com o estímulo à inovação e à criação de novos produtos e serviços, incluindo diferentes estratégias de contratação de energia, soluções de eficiência energética e resposta da demanda”, completa o executivo, alertando, porém, que é preciso seguir avançando, para que o acesso total a todos os brasileiros não leve mais duas décadas.

Para o CEO da CMU, Walter Fróes, a medida é excepcional para o setor, considerando não apenas comercializadores, mas geradores e, principalmente, consumidores. Fróes garante que a empresa está preparada para atuar como representante desses consumidores na CCEE.

“Nós temos um comercializador varejista há alguns anos, mas ele está inativo. Agora com essa medida, esse consumidor com essa demanda abaixo de 500 kW, vai precisar aderir via comercializador varejista, que é um novo mercado”, afirma o executivo, que aconselha, a quem puder, entrar no mercado livre.

O CEO da 2W Energia, Claudio Ribeiro destaca que, com a abertura, 110 mil empresas estarão aptas a descobrir os benefícios de energia mais barata e renovável a partir de 2024. Elas terão liberdade de escolha e contratos customizados segundo suas necessidades. “Apesar do grande desafio que será educar sobre as vantagens do mercado livre e a capilaridade que ele alcança com esta resolução, a 2W está pronta para oferecer soluções de valor agregado para as empresas do grupo A.”