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A abertura do mercado livre de energia para alta tensão a partir de janeiro abre boas perspectivas para uma modalidade de seguros no Brasil, o de crédito comercial. Essa modalidade ainda não é muito utilizada no país, mas vem aumentando. É um modelo no qual a seguradora oferece proteção ao seu cliente contra a inadimplência de compradores de um determinado bem ou serviço.
Quem explica esse mercado é o diretor Comercial da Allianz Trade no Brasil, Luciano Mendonça. A estimativa é de quem existam apenas 1.500 apólices dessa modalidade em território nacional. O cliente da seguradora contrata proteção de seus recebíveis quando há uma relação comercial entre duas empresas.
Essa modalidade não é tão conhecida no país porque é relativamente nova. Começou no início dos anos 2000, mas efetivamente teve sua primeira apólice emitida há 13 anos. Mendonça explica que a falta de estabilidade e um mercado muito fechado como brasileiro dificultaram a adoção desse produto de forma massiva.
Agora o cenário começa a dar sinais de que pode mudar. Grandes empresas internacionais que já têm esse tipo de seguro em suas carteiras podem impulsionar os negócios, uma vez que ele não está limitado a um ambiente de negociação apenas. Pode ser acessado por grandes companhias ou pequenas, tudo depende do crédito que a seguradora libera para um determinado cliente.
“Nosso produto cobre as operações a prazo entre um fornecedor e o seu cliente, dando proteção para esse primeiro. Precisa envolver uma venda a prazo entre dois CNPJs seja no mercado interno quanto externo”, explica ele à Agência CanalEnergia.
A empresa está otimista com as perspectivas que o mercado brasileiro apresenta. O executivo classifica como um mar azul para a empresa navegar. O produto é pouco disseminado por enquanto, há poucas concorrentes e a possibilidade do setor elétrico aumentar em quase 10 vezes o volume de clientes pode ajudar.
De acordo com dados estimados pela companhia, esse mercado deverá fechar com R$ 1 bilhão em prêmio. No ano passado estavam na casa de R$ 700 milhões. “Esse ano será o primeiro em que alcançaremos a casa do bilhão de reais”, comentou. “No exterior esse mercado soma 3,3 bilhões de euros de prêmio e o risco é de mais de 1 trilhão de euros”, destaca ele lembrando que a companhia detém uma fatia de 34% de market share no mundo.
Ele avalia que esse momento do setor no Brasil é natural até porque é um mercado que começa naturalmente em grandes empresas, que possuem experiência no exterior e que trazem esse expertise. Um segundo passo é chegar a grandes empresas nacionais e depois redução de portes de forma progressiva.
“Esse produto é de longa maturação e é desenvolvido para um cliente específico e suas necessidades”, analisa. “Para viabilizarmos uma maior educação para esse mercado é que temos a Allianz Trade Academy, para educar os corretores que atuam nesse campo”, acrescenta.
A aposta da empresa está no custo que a operação de seguro de crédito pode reduzir. Atualmente, o instrumento mais utilizado por empresas é carta fiança de bancos comerciais que tem um preço da ordem de 4% do valor de face. No caso do seguro a apólice está na faixa de menos de 1%. Quem paga é o segurado.
“Ao invés dessa empresa ter que guardar uma carta fiança para cada cliente com quem ele se relaciona, e toda a burocracia que está relacionada à renovação dessa garantia bancária, o nosso segurado pode oferecer ao cliente dele esse produto a um preço muito menor”, aponta o executivo. “Com a abertura do mercado livre a perspectiva é da chegada de milhares de consumidores. Nosso produto é no estilo guarda chuva que pode ser averbado com o passar do tempo, seja para incluir ou retirar um cliente da proteção”, acrescenta Mendonça.
A Allianz Trade atribui um rating a esse cliente e o valor de proteção para cada CNPJ com quem seu segurado se relaciona. Existe uma escala de ratings que são atribuídos a cada CNPJ depois de uma análise feita com fornecedores de dados com quem a seguradora trabalha e é feito de forma online.
“A vantagem é que o segurado que é o fornecedor de um produto, nesse caso a energia, tem proteção contra a inadimplência de seus clientes e a garantia de faturamento e cobertura contra perdas eventuais”, destaca.
A oportunidade que essa divisão da Allianz, que chegou ao Brasil com o nome de Euler-Hermes, está no fato de que há um grande número de potenciais clientes e maior demanda por esse tipo de apólice. Esse movimento de consultas, inclusive, já foi notado pela seguradora.
“Imagina manter uma carta de crédito para cada um desses novos clientes. E outra, isso é custo e representa dívida bancária para esses clientes de energia”, aponta.
Mendonça lembra que o mercado é desconfiado e apesar de estar valendo desde o início da estabilização econômica com o governo FHC, as primeiras operações demoraram ser realizadas. No mundo já existe há cerca de 100 anos. Mas aos poucos esse caminho começa a ser desbravado. E uma mudança como os bancos consideram esse seguro de crédito ajudaria a aumentar o volume financeiro no país.
“Um crédito mais barato no banco em que as empresas apresentam essa apólice que garante o recebimento dessas vendas poderia alavancar ainda mais a economia do país”, sugere.
(Nota da Redação: texto atualizado em 21 de setembro de 2023, às 10h51 para atualização da participação de mercado da empresa)