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Os cortes de geração de energia renovável estão sendo analisados e deverão até mesmo fazer parte das análises do PDE 2035 no horizonte decenal. Com esses dados em mãos, a Empresa de Pesquisa Energética deverá trabalhar para sinalizar como as baterias poderão calibrar a oferta do produto que o sistema precisará. A atual sinalização da EPE é de que a necessidade do país pela tecnologia é elevada na forma de capacidade nos próximos 10 anos, está acima de 8 GW.

A declaração é do presidente da entidade, Thiago Prado, que participou na última terça-feira, 1º de abril, do BloomberNEF Forum, em São Paulo. O executivo explicou que o planejador tem se preparado para a a aplicação da metodologia para essa tecnologia diante o impasse de como pode ser considerado, recurso de transmissão, ou recursos no sistema por meio de linhas virtuais ao invés da expansão por meio de novos ativos.

Segundo ele, o uso do armazenamento favorece o planejamento e o carregamento mais eficiente da rede ao passo que se tem serviços com inversores diferenciados. Isso, continuou, proporcionaria recursos compatíveis com o avanço das renováveis que, destacadamente, passam pela expansão do setor vai manter a renovabilidade por meio da fonte solar fotovoltaica, eólica e hidrelétrica. Além disso, destacou o uso dos dispositivos nos sistemas isolados ao passo que as renováveis ganham mais importância nesses certames.

Falando em leilões, a discussão das baterias passa pelo regulador. Afinal, há uma consulta pública aberta para debater as regras para a modalidade. O diretor geral da autarquia, Sandoval Feitosa, destacou que a agência está tratado do tema no conceito amplo. Ele explica que são três os aspectos considerados na entidade. O primeiro é como tratar o ativo, se ele é geração, transmissão, distribuição ou mesmo consumo próprio. Aliás essa questão não é exclusiva do Brasil, a classificação desses ativos era um ponto delicado no tratamento regulatório até mesmo na Europa, como na Inglaterra, quando, em 2016, o Ofgem, órgão regulador na Grã Bretanha, discutia esse papel.

“Essa discussão é importante porque precisamos ver como é que fica o custo da transmissão no que se refere aos encargos de montante de uso, os horários e a tarifa pelo uso dessa rede. Se esses sistemas de armazenamento são aplicáveis em usinas novas ou também nas existentes”, explicou o diretor geral da Aneel. “O que importa ao usuário é ter energia de forma segura ainda mais se o fornecimento vem da combinação entre eólica, solar e bateria. Estamos fazendo os arranjos com o equilíbrio de pagamento da rede”, destacou ele sobre o processo de estabelecimento das regras para o segmento e a discussão sobre o leilão de capacidade exclusivo para baterias, lembrando que as diretrizes do MME ainda não foram definidas para este certame exclusivo.

“Dada a expectativa do setor e a maturidade do Brasil nessa matéria, acredito que o formulador de política pública, que é o ministério, e outros agentes envolvidos devem ter em mente que não podemos perder a possibilidade e oportunidade de desenvolver a tecnologia brasileira para baterias, somos competitivos em materiais críticos e, então, nesse primeiro leilão é importante que o estado se preocupe com a formatação estratégica das suas baterias. Somos dependentes de paineis solares e não podemos cair no mesmo problema com as baterias”, sugere.

De acordo com a BNEF, o crescimento do armazenamento de baterias pode remodelar o papel da hidrelétrica e do gás no sistema de energia do país. Isso está acontecendo porque os preços das baterias de íons de lítio estão em seu nível mais baixo, tendo caído 20% globalmente em 2024, apontam dados da consultoria.

Até mesmo a Petrobras está de olho no desenvolvimento desse mercado por aqui. Clarissa Palú, gerente de Baterias e Novas Tecnologias da Petrobras, disse que a empresa tem interesse no certame para armazenamento. “Estamos ansiosos para ver como sairão as regras para o leilão para podermos bidar nessa oportunidade”, destacou a executiva. “Olhando pra o leilão, queremos fazer com que a área de baterias seja uma unidade de negócios e entendemos que há muito espaço e vantagem competitiva por que estamos posicionados em geração”, complementou.

Alocação

A partir do momento em que se tem o regramento para as baterias os impactos dos cortes poderiam ser mitigados. Para Bruno Riga,  presidente da Enel Green Power, o problema não é apenas dos geradores, mas de todo o setor. Para ele, os sistemas de armazenamento poderiam ser utilizados para fazer energy shifting e em soluções para o longo prazo.

“Quando falamos de curtailment as baterias são uma parte da solução. Acredito que pode nos ajudar do ponto de vista regulatório, podem contribuir, além de outros elementos necessários”, comentou.

Contudo, Feitosa destacou que o curtailment é um risco e em alguma medida os agentes tem que se preparar e colocar essa variável no modelo de negócio. Para ele, não se pode exigir que o consumidor pague pela energia que não precisa. Por isso, a regra deverá ser clara quanto às restrições que deverão ser ressarcidas, mas conforme regulação, tema sobre o qual a autarquia vem trabalhando por meio de consulta pública.