fechados por mês
eventos do CanalEnergia
mantenha-se informado
sobre o setor de energia.
De olho na transição energética e na COP 30, que acontecerá no Brasil em novembro, foi apresentado em evento do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás realizado nesta quarta-feira, 2 de abril, um estudo da consultoria Catavento, que identificou os países mais bem posicionados para a transição no setor de óleo e gás, categorizando-os com base na relevância, competitividade, segurança energética, perfil de emissões e aspectos sociais e institucionais.
Segundo o estudo, a Noruega é a referência para reduzir a intensidade de emissões no setor de petróleo e gás, enquanto o Brasil tem capacidade moderada de transição pela dependência econômica do setor do petróleo e gás, mas fica em posição de avançar com os seus esforços de transição. Os EUA é o país que mais contribuiu com as emissões nos setores de energia e indústria, seguido por China, Rússia e Alemanha. Já a Rússia é a economia menos eficiente na redução de intensidade de emissões, seguida pela Índia, Arábia Saudita e China.
O estudo apresenta cinco dimensões essenciais para o sucesso dos projetos de descarbonização global em petróleo e gás: planejamento para reduzir as emissões de metano, eliminar toda a queima não emergencial, eletrificar as instalações upstream, equipar os processos de petróleo e gás com instrumentos de captura e armazenamento de carbono (CCUS) e expandir o uso de hidrogênio de baixa emissão nas refinarias.
O “Transitioning away from fossil fuels in energy systems” foi encomendado pela Secretaria Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, com apoio do IBP e do Instituto Clima e Sociedade. O documento traça um cenário do desenvolvimento energético global e o papel do setor de óleo e gás nesse processo a partir de avaliação do compromisso estabelecido por cerca de 200 países na COP28.
Para Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento, à medida que o estudo foi sendo feito e as cinco dimensões identificadas, a relevância dele aumentou, uma vez que a complexidade do processo de transição foi salientada, assim como a transparência dos seus custos e os benefícios para a sociedade. “[A transição] não é uma equação binária, vou ou não vou. Todos têm que avançar, de uma maneira mais ordenada possível, porque disrupções na área de energia não são bem-vindas e a gente perde o apoio”, avisa.
O processo da transição energética na área é considerado complexo, mas não impossível. Segundo a consultora, essa complexidade precisa ser reconhecida. Ela conta que ao longo dos anos em algum momento foi passada a ideia de que toda a mudança seria fácil e não teria custos. “Não é verdade. A transição é factível, mas é custosa, complexa e não-linear, mas também traz benefícios. Temos que olhar para ela e continuar avançando”, conclui.
A necessidade de prontidão do novo sistema energético também foi salientada. Segundo ela, seria fácil dizer que o atual sistema – que traz efeitos colaterais ao clima – não serve mais. Porém, isso não é possível por conta da dependência econômica que o óleo e gás trazem. Aí surge o incentivo ao novo, através das tecnologias de baixo carbono. “Esse é o grande insight. Não adianta querer acabar com o atual sistema energético sem ter outro que entregue energia com segurança, preços acessíveis e confiabilidade. Isso é chave”, pontua.
Ainda de acordo com o estudo apresentado pela Catavento, a demanda global por petróleo atingiu aproximadamente 99,1 mb/d em 2023, crescendo 14% desde 2010. Os setores de transportes, com 55%, e indústria, com 21%, além da aplicação para geração de energia, com 39%, foram os principais destinos globais do petróleo. Em 2023, o setor de petróleo e gás foi responsável por aproximadamente 51% da matriz energética global e cerca de 60% da geração mundial de eletricidade.