Itaipu anuncia bolsa saúde e EDP apoio a comunidades vulneráveis

Convênio de R$ 4 milhões da Binacional irá selecionar 733 estudantes para ajudar na região, que também está com obras estruturantes em ritmo normal; Eneva doa aparelhos e encomenda testes da Covid-19

A margem brasileira da usina de Itaipu anunciou nessa sexta-feira, 3 de abril, que irá firmar um termo de cooperação na ordem de R$ 4 milhões com o governo do Estado para a contratação direta de 733 bolsistas na área de saúde, em caráter emergencial. Os estudantes serão selecionados a partir de uma chamada pública a ser realizada pela Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná (FA) e atuarão por quatro meses no enfrentamento à Covid-19, com uma contrapartida do governo estadual no mesmo valor.

O termo de cooperação reúne a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e a Superintendência-Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – (Seti) e está em fase final de elaboração. Os bolsistas tem de ser do curso de enfermagem de instituições estaduais de Ensino Superior (IEES) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e serão contratados para orientar, monitorar e auxiliar o atendimento de pacientes que apresentarem sintomas da doença. As atividades serão desenvolvidas em conjunto com as regionais de saúde da Sesa, que ficarão responsáveis pelo plano de trabalho.

Entre as atribuições dos selecionados estão a prestação de serviços de atendimento telefônico e por meios digitais, no intuito de tirar dúvidas e orientar a população relacionadas à prevenção, além de cuidados e combate à pandemia. Também prestarão serviços nas rodovias, com o monitoramento da entrada e da saída de pessoas na Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, nas unidades de saúde, hospitais e outros estabelecimentos de saúde com esse mesmo escopo. Outra parte reforçará o atendimento no Laboratório Central do Estado, Lacen, e Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, voltada ao apoio a demandas destas unidades.

A iniciativa é mais uma que se soma a outras medidas que a binacional tem tomado para conter os efeitos da pandemia, como a liberação de um fundo emergencial de R$ 15 milhões para ajudar os municípios da região. O Hospital Ministro Costa Cavalcanti (HMCC), mantido pela usina, criou uma ala exclusiva com Unidade de Terapia Intensiva e Semi-Intensiva para internamento de pacientes com a doença. O laboratório do HMCC também foi credenciado a fazer testes rápidos (PRC) da covid-19, com mais de 4 mil kits recém adquiridos e que estão a caminho.

 

Laboratório do HMCC aguarda chegada de mais 4 mil kits de testes rápidos para Covid-19 (foto: Rubens Fraulini)

Obras em ritmo normal e turismo fechado

Depois de reavaliar o cenário atual, com base nos protocolos adotados até agora pelo Ministério da Saúde e Secretaria da Saúde, a diretoria da binacional decidiu prorrogar o sistema de home office e manter suspensas as visitas de turismo na usina até a Semana Santa, que teoricamente termina no domingo de Páscoa (12). Uma nova avaliação será feita após esse período. Hoje, cerca de 80% dos empregados da margem esquerda estão em casa fazendo teletrabalho.

Em Foz do Iguaçu existem 13 casos confirmados do novo coronavírus, nenhum por contaminação comunitária, ou seja, dentro do próprio município. Por decreto municipal, escolas e comércio em geral estão fechados. A cidade-sede da hidrelétrica também está com as fronteiras fechadas, o que preserva a tranquilidade do corpo funcional da empresa e a normalidade do funcionamento da geração de energia.

Quem não tem a opção de trabalhar de casa e precisa estar na linha de frente, como os operários que atuam nas obras financiadas e em serviços essenciais da UHE, estão tocando as obras para entrega em uma fase posterior à crise, tomando os devidos cuidados de higiene que o momento exige. Segundo Itaipu, não há atrasos, com o cronograma das obras fluindo em ritmo normal e, em alguns casos, até adiantado.

A lista é extensa e já redesenha um novo cenário de desenvolvimento econômico para a região quando tudo voltar à normalidade. São projetos que já saíram ou vão sair e garantem, num primeiro momento, geração de empregos, importante para girar a economia e evitar um colapso geral. “Vamos continuar mantendo investimentos em infraestrutura visando garantir o emprego e a segurança de centenas de brasileiros que dependem desse ganha-pão para sobreviver”, afirmou o diretor-geral brasileiro de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna.

As obras irão angariar cerca de R$ 700 milhões em aportes para projetos estruturantes. No caso da Ponte da Integração Brasil-Paraguai, a concretagem da primeira fase está pronta no lado brasileiro. A construção da Perimetral Leste, que sustentará uma nova organização da logística da cidade, também está sendo impulsionada e deve começar em setembro. O cronograma do mercado público municipal, que sofreu atraso por problemas com a antiga empreiteira, agora segue o ritmo normal. Outras obras estão adiantadas, como a segunda etapa da ciclovia da Avenida Tancredo Neves e as reformas do aeroporto.

 

Obras como da segunda ponte entre Brasil e Paraguai avançam na região (foto: Alexandre Marchetti)

 

Edital da EDP seleciona projetos para locais vulneráveis

Já a EDP Brasil e EDP Renováveis anunciaram um edital de R$ 1 milhão para selecionar projetos voltados enfrentamento da pandemia em comunidades vulneráveis de todo o Brasil. As inscrições poderão ser realizadas até o dia 10 de abril, através desse site. Podem concorrer entidades não governamentais, associações, startups, consultorias e prestadores de serviços, entre outros, que proponham soluções socioeconômicas contra os problemas gerados pela Covid-19.

As iniciativas devem estar focadas em soluções que atendam às necessidades básicas/sanitárias desse público, como por exemplo garantia do direito à alimentação, higiene, limpeza e saneamento básico. Também são elegíveis projetos e ações que possibilitem a redução do impacto econômico resultante da crise, com geração de trabalho e renda, soluções em economia colaborativa e valorização do empreendedorismo local, além de propostas sanitárias, em apoio ao combate, detecção e prevenção ao vírus.

A companhia também informou que as ações voltadas aos municípios dos estados de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso, Amapá, Ceará, Rio Grande do Sul e Tocantins terão prioridade. O resultado será divulgado no próximo dia 15 de abril e o repasse da verba será realizado no dia 16 do mesmo mês. Os projetos devem ter início imediato e o recurso investido poderá ser utilizado por até seis meses, contando a partir da data do repasse pelo Instituto EDP.

“Sabemos do quadro de desigualdade no país e da importância de iniciativas com foco nas comunidades mais carentes. O edital busca disponibilizar recursos para criar uma rede de proteção às pessoas mais vulneráveis aos efeitos da pandemia do coronavírus”, justifica Luis Carlos Gouveia, diretor do Instituto EDP.

Na semana passada, a empresa já havia anunciado a doação de outros R$ 6 milhões para a compra de respiradores para as UTIs dos hospitais públicos do Estado de São Paulo. A ação da multinacional se soma aos esforços feitos pela matriz em Portugal, como a doação de 50 respiradores, 200 monitores e equipamentos médicos a hospitais portugueses, ação realizada em conjunto com a China Three Gorges (CTG).

No Brasil, a EDP possui um Comitê de Gestão de Crise e desenhou um plano de contingência, antes mesmo da confirmação do primeiro caso. Desde fevereiro, as reuniões tem sido realizadas remotamente todos os dias, inclusive aos fins de semana, quando necessário. Antecipação da vacinação contra a gripe H1N1 para colaboradores, implantação de home office nos escritórios, escalonamento e descentralização das equipes de campo e reforço das campanhas internas de informação foram algumas das atitudes tomadas.

 

IBGE considera Marajé do Sena (MA) um dos municípios mais pobres do país (foto: Prefeitura)

Eneva doa aparelhos e encomenda testes para colaboradores

Além de adaptar a rotina dos colaboradores das operações visando manter o fornecimento de energia às regiões Norte e Nordeste, a Eneva divulgou na última quinta-feira (02) que fará uma doação de 25 aparelhos ventiladores pulmonares e de respiração assistida para o Amazonas, Ceará, Maranhão e Roraima, estados onde se concentram os trabalhos de exploração de gás e geração de energia, e para o Rio de Janeiro, onde fica a sede da companhia. Os equipamentos estão sendo adquiridos e serão repassados aos governos estaduais assim que forem entregues pelos fornecedores, entre abril e maio, por conta da grande demanda recebida pelos fornecedores em todo país.

A empresa também afirmou que distribuirá cerca de 3500 kits com sabonete, sabão líquido e máscaras para as comunidades próximas as suas operações em São Luís, Santo Antônio dos Lopes, Capinzal, Lima Campos, Pedreiras, Trizidela do Vale e Paço do Lumiar, no Maranhão; Fortaleza e São Gonçalo, no Ceará; Monte Cristo, em Roraima; e Itapiranga e Silves, no Amazonas.

Já como compromisso para manter suas operações físicas, a Eneva também irá adquirir dois mil testes da Covid-19, como forma de proteção e prevenção aos seus colaboradores. Além disso, a empresa adotou uma série de medidas nas unidades operacionais, mantendo um rigoroso protocolo de proteção para evitar a propagação do vírus.